
Lisboa, 19 dez 2019 (Lusa) – A ministra da Cultura, Graça Fonseca, negou hoje qualquer ingerência governamental na RTP e acusou o PSD de tentar desestabilizar as rádio e televisões públicas com o objetivo da sua privatização futura.
Em debate parlamentar de atualidade, requerido pelo PSD com o tema “RTP – Serviço Público”, esteve em causa, principalmente, a recente demissão da direção de informação da estação pública de televisão na sequência da polémica interna pela alegada suspensão do programa de investigação “Sexta à s Nove”, nomeadamente uma reportagem sobre exploração de lÃtio, durante a campanha eleitoral para as legislativas.
“Eu também me questiono se o que está em causa não é, mais uma vez, criar uma situação de desestabilização, de ingerência, essa sim do PSD na RTP, para denegrir a RTP e criar condições para voltar a defender a privatização da RTP como já defendeu no passado e gostaria de voltar a defender no futuro”, acusou.
Segundo Graça Fonseca, “não há frontalidade do lado do PSD para assumir aquilo que quer para a RTP”.
“Que fique muito claro, este Governo nunca defendeu a privatização da RTP, sequer de algum canal da RTP. É uma marca muito importante, uma diferença entre o PSD e o Governo. O PSD defendeu no passado a privatização da RTP. Há outra coisa que diferencia muito bem o Governo do PSD. Ao contrário do PSD, nós não interferimos na RTP, não fazemos nenhum debate sobre a direção de informação da RTP. O PSD, ao trazer para debate em plenário, em plena campanha eleitoral do PSD, uma discussão sobre a direção de informação da RTP é extraordinário como consegue acusar o Governo de ingerência. Não, o Governo não intervém. O Governo não tem tutela”, continuou.
Na segunda-feira, 16 de dezembro, a diretora de informação da RTP, a jornalista Maria Flor Pedroso, colocou o seu lugar à disposição por considerar não ter “condições para a prossecução de um trabalho sério”, no âmbito do conflito que a envolveu com a coordenadora do programa “Sexta à s 9”, Sandra Felgueiras, incluindo, além da reportagem sobre o lÃtio, uma investigação sobre o Instituto Superior de Comunicação Empresarial (ISCEM), tendo a administração aceitado.
Em causa está um relato feito por Felgueiras, em 11 de dezembro, numa reunião com o Conselho de Redação (CR) a propósito do programa sobre o lÃtio, em que adiantou que o “Sexta à s 9” estava a investigar suspeitas de corrupção no âmbito do processo de encerramento do ISCEM, que passava pelo alegado recebimento indevido de “dinheiro vivo”.
Flor Pedroso foi acusada de ter transmitido informação privilegiada à visada na reportagem [diretora do ISCEM, Regina Moreira], algo que a diretora de informação da RTP “rejeitou liminarmente”, de acordo com as atas do CR e com a posição enviada à redação pela diretora de informação da RTP na passada sexta-feira, a que a Lusa teve acesso.
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