
Maputo, 26 out 2026 (Lusa) – A mineradora Total Graphite pretende utilizar a futura produção de grafite do seu projeto em Moçambique para abastecer uma cadeia industrial destinada ao fabrico de materiais de elevado valor para baterias, reforçando a relevância estratégica do país.
Num recente comunicado ao mercado, a empresa refere ter obtido resultados iniciais considerados encorajadores nos testes de purificação de grafite provenientes da sua operação de Vatomina, em Madagáscar, alcançando uma pureza de 99,2% de carbono fixo e avançando agora para a meta de 99,5%.
A Total Graphite explicou que este programa de desenvolvimento industrial inclui a produção de grafite de alta pureza (HPG), grafite expansível (EG) e material ativo para ânodos (AAM), produtos utilizados em baterias para veículos elétricos, sistemas de armazenamento de energia e outros materiais tecnológicos avançados.
Embora os ensaios estejam a ser realizados com grafite de Madagáscar, a empresa sublinha que a futura unidade industrial – cuja localização ainda não foi escolhida – será alimentada também com matéria-prima proveniente dos seus projetos moçambicanos.
“O programa de desenvolvimento ‘downstream’ destina-se a utilizar concentrado de grafite produzido pelas operações da empresa em Madagáscar, juntamente com concentrado que se espera obter dos seus avançados projetos de desenvolvimento em Moçambique”, refere a informação divulgada aos investidores.
A empresa diz que esta estratégia permitirá garantir “flexibilidade no abastecimento futuro de matéria-prima” e criar uma plataforma capaz de sustentar uma produção industrial “em escala significativa”.
“A crescente procura de cadeias industriais ocidentais e de fabricantes de baterias por fontes seguras e diversificadas de materiais de grafite representa uma oportunidade significativa de longo prazo para a empresa”, acrescenta.
A Total Graphite indica que pretende concluir até ao final de 2026 ou início de 2027 os estudos técnicos e de engenharia necessários para uma decisão final de investimento relativa à sua primeira unidade industrial de transformação de grafite, cuja localização ainda será escolhida com base em critérios logísticos, custos operacionais, incentivos e proximidade dos clientes.
O presidente da empresa, Christian Dennis, assume que os resultados obtidos reforçam a estratégia de construção de um negócio integrado de grafite.
“Estes resultados fornecem maior confiança para prosseguir a estratégia de construir um negócio de grafite verticalmente integrado para capturar as significativas oportunidades de valor acrescentado disponíveis a jusante”, afirmou, citado no comunicado.
A empresa acrescenta que pretende transformar-se progressivamente de produtora de concentrado de grafite numa produtora integrada de materiais de grafite de maior valor acrescentado, participando numa parte mais alargada da cadeia global de fornecimento para a indústria das baterias.
A Total Graphite já tinha anunciado em setembro o arranque da atualização do estudo de viabilidade do projeto de grafite de Montepuez, em Cabo Delgado, apontando para uma decisão de desenvolvimento da mina em 2027. O projeto está licenciado para produzir até 100.000 toneladas anuais de concentrado de grafite e dispõe de recursos minerais estimados em 110,5 milhões de toneladas, contendo cerca de 9,1 milhões de toneladas de grafite.
Segundo a empresa, a primeira fase de desenvolvimento prevê produzir aproximadamente 50.000 toneladas anuais de concentrado de grafite, exigindo um investimento inicial estimado em 42,3 milhões de dólares (36 milhões de euros), seguindo-se uma segunda fase para quase duplicar a capacidade para 100.000 toneladas anuais.
A Total Graphite detém ainda o projeto Balama Central, também em Cabo Delgado, indicando que os dois ativos possuem em conjunto mais de 13 milhões de toneladas de grafite contido, um dos maiores recursos deste mineral crítico para a indústria mundial de baterias fora da China.
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