Militares ucranianos negam cerco russo em Pokrovsk

Kiev, 05 nov 2025 (Lusa) – O exército ucraniano negou hoje as alegações de Moscovo de que os seus soldados estavam cercados pelas tropas russas em Pokrovsk, no leste da Ucrânia, numa batalha que se tornou no centro do conflito.

“A defesa da ligação de Pokrovsk-Myrnograd continua. Não há qualquer cerco às nossas unidades e divisões”, afirmou o Estado-Maior ucraniano nas redes sociais.

Esta declaração surge após alegações da Rússia de que as suas tropas estão a “reforçar o cerco” nesta área da província de Donetsk.

O Ministério da Defesa russo afirmou na rede social Telegram que a situação das forças ucranianas está a “degradar-se rapidamente” em Pokrovsk e Kupyansk, outro centro logístico e ponto crítico, na região de Kharkiv.

O Presidente da Ucrânia visitou na segunda-feira as posições das suas tropas na zona de Pokrovsk, onde admitiu que a situação era difícil, mas que as forças ucranianas estavam a resistir aos ataques russos.

Volodymyr Zelensky disse também que em Kupyansk restavam menos de 60 russos, o que levou o Ministério da Defesa russo a comentar hoje que “o chefe do regime de Kiev perdeu completamente o contacto com a realidade”.

O ministério alegou num comunicado que Zelensky estará a receber “relatórios falsos” do comandante das forças armadas, Oleksandr Syrskyi, o que o impedirá de ter informação operacional sobre a situação no terreno.

O ministério russo não excluiu a possibilidade de Zelensky estar consciente da situação e tentar “ocultar até ao último momento a verdade”, tanto aos parceiros ocidentais como à população ucraniana.

Esta atitude terá como consequência “a morte de milhares de soldados ucranianos”, advertiu o Ministério da Defesa de Moscovo.

O Presidente russo, Vladimir Putin, anunciou em 26 de outubro o cerco das tropas ucranianas em Kupyansk e em alguns bairros de Pokrovsk.

Dias depois, dirigiu-se a Kiev para exigir a rendição das suas tropas, tal como ocorreu em Mariupol, no sul da Ucrânia em maio de 2022, apenas três meses após o início da invasão russa, e onde milhares de soldados se entregaram após várias semanas de resistência.

No caso de Kupyansk, especialistas independentes concordam que as tropas ucranianas enfrentam sérias dificuldades.

A situação é diferente em Pokrovsk, onde os russos penetraram na cidade, mas a tentativa de estrangulamento da cidade tem cerca de cinco quilómetros de largura, o que significa que Kiev ainda tem opções e tempo para uma retirada.

Em 31 de outubro, a Rússia controlava 19,2% do território ucraniano, total ou parcialmente, incluindo 81% da região de Donetsk e quase toda a região vizinha de Luhansk (ou Lugansk), de acordo com dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW).

“Os recentes avanços russos em Pokrovsk são o culminar de uma campanha de 21 meses para tomar a cidade e de um esforço de cinco meses de interdição aérea no campo de batalha para degradar as capacidades defensivas ucranianas”, comentou o instituto norte-americano, que monitoriza a evolução da guerra da Ucrânia, no seu último relatório diário.

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