
Zagreb, 30 nov 2025 (Lusa) – Milhares de pessoas saÃram hoje à s ruas de Zagreb e outras cidades da Croácia em protesto contra o que consideram tendências fascistas, revisionismo histórico pró-nazi e discriminação das minorias e dos imigrantes, que dizem estar a crescer no paÃs.
“Contra as trevas!”, “Todos os nazis são uns falhados”, “O fascismo é ódio” e “Onde o fascismo morre, nasce a liberdade” eram algumas das frases expressas nas faixas transportadas pelos manifestantes, enquanto marchavam pelo centro da capital croata, avançou a EFE.
Depois de se terem reunido no monumento aos judeus assassinados durante a Segunda Guerra Mundial, localizado em frente à estação ferroviária central, os manifestantes de Zagreb dirigiram-se para a Praça Ban Jelacic, que encheram, entoando canções antifascistas internacionalmente conhecidas, entre as quais “Bella Cião” e “No pasarán”.
A presidente da Federação Europeia de Jornalistas (FEJ), Maja Sever, que também preside ao Sindicato dos Jornalistas Croatas, denunciou à multidão os ataques sofridos por inúmeros profissionais da imprensa à s mãos de indivÃduos encapuzados e vestidos de preto, sem uma resposta adequada por parte das autoridades.
“Hoje mostramos que não temos medo, que não nos vamos calar e que vamos lutar juntos pela liberdade e por uma sociedade democrática”, declarou Sever.
Num discurso para a multidão reunida na praça, Lucija Markovic, estudante, afirmou que o fascismo se vê “em cada ataque a um estafeta, simplesmente por este ter uma cor de pele diferente”, “nos indivÃduos mascarados de preto que ameaçam as minorias nacionais”, e “quando os funcionários do Estado participam na criação e disseminação do revisionismo histórico”.
A iniciativa Unidos Contra o Fascismo foi lançada este ano em reação a vários incidentes, como o cancelamento, no inÃcio deste mês, na cidade de Split, de uma série de eventos culturais organizados pela minoria sérvia, após intimidação por um grupo de figuras encapuzadas vestidas de preto e o aparecimento de ‘graffiti’ com mensagens de ódio contra sérvios e sÃmbolos do Ustase, o regime croata que colaborou com a Alemanha de Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial.
A maioria parlamentar conservadora e de direita permitiu a realização, em outubro, de um simpósio sobre o revisionismo histórico a propósito do campo de extermÃnio croata de Jasenovac, criado pelo movimento fascista Ustase, partido nacionalista da extrema-direita que assumiu o poder em 1941, responsável pela morte de milhares de sérvios, judeus e ciganos.
Em julho, meio milhão de pessoas, incluindo o primeiro-ministro do paÃs, o conservador Andrej Plenkovic, assistiram a um concerto, em Zagreb, do cantor croata Marko Perkovic ‘Thompson’, conhecido por canções que procuram reabilitar o movimento Ustase.
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