Milhares manifestam-se em Israel e no Iraque apelando ao fim do conflito no Médio Oriente

Bagdade, 04 abr 2026 (Lusa) — Milhares de pessoas manifestaram-se hoje em Telavive e em Bagdade, bem como noutras cidades do Iraque, contra os Estados Unidos e Israel, apelando ao fim do conflito no Médio Oriente.

Segundo a Agência France Presse (AFP), dezenas de milhares de apoiantes do líder religioso xiita Moqtada Sadr reuniram-se em Bagdade, e em todo o Iraque, para condenar Israel e os Estados Unidos.

Em Bagdade, encheram as ruas em torno da Praça Tahrir, no centro da cidade, empunhando a bandeira iraquiana e gritando: “Não, não a Israel”, e “Não, não à América”, descreve a AFP.

O Iraque acabou por se ver envolvido na guerra atualmente em curso por haver grupos pró-iranianos que atacam os interesses norte-americanos no país, com os iraquianos a sofrerem, em retaliação, ataques atribuídos aos Estados Unidos e a Israel.

A guerra foi desencadeada em 28 de fevereiro por ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, aos quais Teerão respondeu com disparos de mísseis e drones contra Israel e outros países da região.

O movimento islamista Hezbollah entrou no conflito em 02 de março para vingar a morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei, morto em Teerão. Israel respondeu com ataques aéreos de grande envergadura em todo o Líbano e uma ofensiva terrestre no sul do país.

Milhares de pessoas morreram desde o início da guerra na região, sobretudo no Irão e no Líbano.

Hoje, em Telavive, mais de um milhar de pessoas manifestaram-se contra a guerra, apelando às autoridades para que lhe ponham fim, antes de serem dispersadas pela polícia.

Segundo a AFP, os manifestantes, que se reuniram na praça Habima, no coração da cidade, entoavam frases como “Não bombardeiem! Conversem!”, “Fim das tretas do Bibi”, nome pelo qual também é conhecido o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu.

Uma mulher segurava um cartaz onde se lia: “Netanyahu é a maior ameaça à existência de Israel”.

Pouco depois do início do protesto, pelas 16:00 locais (17:00 em Lisboa), a polícia, que tinha autorizado uma manifestação limitada a 150 pessoas, alegou medidas de segurança relacionadas com a guerra para afastar os manifestantes, tendo alguns regressado depois ao local.

A AFP relata que cerca de uma dezena de pessoas foram detidas e metidas num autocarro.

Israel e os Estados Unidos, embora tenham como objetivo erradicar a ameaça dos mísseis balísticos iranianos, acusam o Irão de procurar dotar-se de armas nucleares, algo que Teerão nega, defendendo que o seu programa é estritamente civil.

Numa declaração em vídeo divulgada hoje, Netanyahu prometeu prosseguir a campanha militar contra o Irão.

“Prometi-vos que continuaríamos a atacar o regime terrorista em Teerão e é exatamente isso que estamos a fazer (…) Hoje, atacámos o seu complexo petroquímico”, declarou.

O primeiro-ministro israelita tinha anunciado na sexta-feira ataques contra instalações siderúrgicas iranianas.

“Estes dois setores são a sua máquina de financiar a guerra terrorista contra nós e contra o mundo inteiro. Continuaremos a atacá-los”, acrescentou.

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