
*** Joana de Sousa Dias, da agência Lusa ***
Berlim, 25 jan 2025 (Lusa) — Milhares de pessoas juntam-se hoje à tarde em Berlim na manifestação “mar de luzes contra a viragem à direita”, com crÃticas a Friedrich Merz, lÃder da União Democrata Cristã (CDU) e favorito à s eleições legislativas do próximo mês.
O principal alvo dos manifestantes continua a ser a força de extrema-direita, Alternativa para a Alemanha (AfD), mas o receio de que a CDU se aproxime deste partido, principalmente nas polÃticas de migração, assusta muitos dos que protestam em frente à s Portas de Brademburgo.
“Tenho muito receio de que os conservadores não sejam consequentes com o que prometeram e não continuem a combater a extrema-direita. Vamos ter um grande problema se Merz for chanceler, as declarações mais recentes que fez assustam-me. Também já disse que não vai unir-se aos Verdes. Então quem mais sobra”, interroga-se Ariani.
“Pelo menos podemos fazer algo, podemos vir aqui e demonstrar a nossa preocupação e o nosso descontentamento”, sublinha, em declarações à Lusa.
Depois do ataque à faca em Aschaffenburg por um cidadão afegão que residia ilegalmente na Alemanha, e que matou uma criança de 2 anos e um homem de 41, Friedrich Merz anunciou que, caso seja eleito chanceler, irá rever as polÃticas de migração.
O lÃder da CDU prometeu uma “mudança fundamental no direito de entrada, no direito de asilo e no direito de residência”, um “controlo duradouro” das fronteiras com os paÃses vizinhos e uma “proibição de todas as tentativas de imigração ilegal”. Merz acrescentou aceitar, no Bundestag, a aprovação pela AfD das propostas dos conservadores.
Apesar de já ter vindo dizer, entretanto, em entrevista ao jornal Bild, que “não haverá cooperação com a AfD”, o lÃder da CDU e candidato a chanceler, que lidera as sondagens, não escapou à s mensagens e cartazes da manifestação desta tarde.
“É preciso ter cuidado e atenção a estes discursos. Não digo que os partidos ditos tradicionais sejam perfeitos, mas, por favor, não votem na extrema-direita”, sublinha Katja.
“Acho muito importante lutarmos pela democracia e estarmos aqui. Sou da Alemanha, tenho muitos amigos estrangeiros e o meu namorado também não é daqui. É muito assustador pensar que as pessoas que vieram para aqui, para estudar, para trabalhar, para ter uma vida melhor, vão ser obrigados a sair”, confessa a berlinense de 29 anos.
Traz um cartaz com uma mensagem e um desenho de um cérebro. “Ei, AfD, deixaste cair isto”, pode ler-se.
“Deixaram cair o cérebro, a humanidade, e todos os valores. As pessoas, ou não estão a reparar, ou não querem saber”, emociona-se, apelando a todos para que votem num partido democrático nas eleições antecipadas de 23 de fevereiro.
Além dos cartazes, os manifestantes respondem ao apelo da organização trazendo todo o tipo de luzes, desde velas, até pequenos holofotes, ou fios de lâmpadas. FamÃlias de todas as idades, carrinhos de bebés e até animais marcam presença no centro da capital alemã.
“Não vim sozinha, trouxe a minha cadela com uma mensagem, cães contra a extrema-direita. (…) Até agora a Alemanha tem sido um paÃs consciente, tem pensado no seu passado e tirado consequências. Mas isso já não parece ser suficiente”, aponta Nora.
Rafael está umas filas atrás. Tem ao colo dois bebés e um cartaz.
“É por eles que estou aqui, pelo futuro deles. Isto é democracia, podermos vir com os nossos filhos, dizermos o que pensamos, vivermos num paÃs livre. Não imagino as coisas de outra forma”, revela o alemão de Potsdam.
A manifestação, convocada por várias organizações como a “Compact” ou “Fridays for Future”, começou com um minuto de silêncio pelas vÃtimas do atentado de Aschaffenburg.
A organização fala da participação de cerca de cem mil pessoas, a polÃcia contabilizou 30 a 35 mil.
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