
Madrid, 15 out 2026 (Lusa) – Milhares de professores manifestaram-se hoje pelo segundo dia consecutivo em Madrid no arranque de uma greve que os sindicatos anunciam como indefinida e o governo regional, liderado pelo Partido Popular espanhol (PP), qualifica como “política e eleitoralista”.
A greve e as manifestações foram convocadas por vários sindicatos, incluindo as duas grandes centrais sindicais espanholas (UGT e CCOO), para reivindicar aumentos salariais, redução de horários ou diminuição do número de alunos por turma, assim como mais meios para a escola pública.
Os protestos começam com três dias de greve de 24 horas e manifestações (14 a 16 de outubro) e prosseguem, a partir do dia 19, com paralisações parciais, sem haver um final anunciado. Foram definidos serviços mínimos para os dias da paralisação.
A convocatória de greve (anunciada em setembro) abrange todos os professores dos níveis não universitários (cerca de 65.000 docentes), mas associações de estudantes e sindicatos de duas universidades (Complutense e Rei Juan Carlos) somaram-se aos protestos na quarta-feira.
Além disso, está anunciada uma greve nas seis universidades públicas da região autónoma de Madrid em 4 e 5 de novembro, com o argumento de o executivo regional as ter levado à “asfixia financeira” e estar a “privatizar o setor da educação”.
A educação, em Espanha, é tutela dos governos regionais.
No primeiro dia do protesto, na quarta-feira, milhares de professores estiveram nas ruas da capital espanhola em várias manifestações, com a maior a reunir cerca de 25.000 pessoas, segundo as autoridades.
Os manifestantes terminaram uma marcha de protesto junto à sede do departamento de Educação do governo autonómico e do edifício da presidência regional, na praça Porta do Sol.
Neste local, a manifestação dos professores juntou-se ao protesto pela crise na habitação, que instalou nesta praça há quase três semanas um acampamento.
Hoje, milhares de professores voltaram a concentrar-se nas imediações da Porta do Sol, em frente do departamento de Educação do governo autonómico, na primeira manifestação do dia.
Os porta-vozes sindicais estão a apelar ao governo regional que “oiça, dialogue e negoceie de maneira imediata”, para evitar que este conflito se arraste por todo o ano letivo.
Segundo os sindicatos, a greve teve uma adesão de 62% hoje e de 70% na quarta-feira, enquanto o Governo de Madrid referiu uma participação de 44,5% no primeiro dia e de 32,2% no segundo.
A presidente do governo regional de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, acusou hoje a esquerda do país de estar “a rebentar” a cidade desde que o primeiro-ministro espanhol, o socialista Pedro Sánchez, convocou na semana passada eleições antecipadas para 29 de novembro.
Ayuso disse que a esquerda está a “sequestrar as ruas” da cidade com greves e manifestações, porque está prestes a perder as eleições.
“A esquerda, neste país, quando se vê nessa encruzilhada, torna-se extremamente violenta, porque não aceita as regras do jogo democrático”, defendeu.
A presidente regional criticou em especial o acampamento pela habitação na Porta do Sol que disse que “dá vergonha de ver”.
Na quarta-feira, Ayuso escreveu na rede social X que a greve dos professores é uma “greve política” convocada “com a cumplicidade do Governo” espanhol.
Num debate hoje na assembleia regional, a oposição de esquerda respondeu-lhe que os professores dos níveis pré-primários já estavam em greve contínua desde abril e que se há pessoas nas ruas é porque existe “um clamor” que diz que “é preciso subir os salários e baixar as rendas de casa”.
Também a conselheira de Educação regional (equivalente a ministra num governo nacional), Mercedes Zarzalejo, considerou na quarta-feira que a greve é “eleitoralista”.
A governante garantiu que o executivo está disposto a ouvir os professores e que há negociações em curso, mas considerou que sindicatos e docentes “não tem qualquer vocação de negociar nem de melhorar a educação” e que “o único objetivo é queimar as ruas”.
O primeiro destes protestos ficou também marcado por uma carga policial sobre um grupos de manifestantes na Universidade Complutense, que acabou com vários feridos (um deles polícia) e cinco pessoas detidas.
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