Milhares de pessoas unem-se em Lisboa para criticar atuação da PSP

Lisboa, 25 out 2026 (Lusa) — Milhares de pessoas que protestam pelo direito à habitação uniram-se hoje no Rossio, em Lisboa, para criticar a intervenção da PSP, que a classificaram como o “maior atentado à democracia desde do 25 de Abril”.

“O que se passou foi uma vergonha. Uma tentativa de reprimir quem defendia o direito pela habitação”, disse um dos manifestantes na assembleia popular da Acampada de Lisboa, que começou no Rossio por volta das 19:10.

A PSP dispersou hoje de madrugada, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e as tendas fossem retiradas.

“A cada bastonada responderemos com mais organização e a cada ameaça com mais solidariedade”, afirmou outra manifestante perante uma praça quase cheia que grita repetidamente “25 de Abril sempre, fascismo nunca mais”.

Apesar de já ter caído a noite em Lisboa continua presentes no protesto, que começou por volta das 17:00, várias famílias, com bebés, sendo visíveis pessoas de várias idades.

No meio de dezenas de cravos, cartazes e bandeiras, a comparar a PSP com a PIDE, estava Mariana Queiroz, 32 anos, que foi ao protesto em solidariedade com as pessoas que vivem “um drama urgente” e que considerou a ação da PSP “um absurdo”.

Também no protesto, onde uma multidão agarrou em chaves e começou a abaná-las, João Lima confessou que se “sentiu triste” com a ação da PSP.

Presente no protesto em solidariedade com os manifestantes, a eurodeputada do Bloco de Esquerdo Catarina Martins disse aos jornalistas que a ação da polícia “foi injustificável”.

“Este protesto, por muitas cargas policiais que o Governo faça, não vai ser calado”, afirmou.

Também a eurodeputada do Partido Socialista Ana Catarina Mendes esteve presente em sinal de solidariedade.

Já a deputada do Livre Isabel Mendes Lopes disse que “a atuação da polícia foi inaceitável”, criticando as declarações do ministro da Administração Interna, Luís Neves, que hoje afirmou que a atuação da PSP “visou repor a ordem pública”.

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