Milhares de manifestantes em Londres contra guerra dos EUA e de Israel contra Irão

Londres, 07 mar 2026 (Lusa) — Milhares de pessoas manifestaram-se hoje em Londres para exigir o fim da ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, marchando até a embaixada americana no centro da capital britânica.

“Somos o povo. Não nos vão calar. Parem os bombardeios agora, agora, agora, agora”, foram algumas das palavras de ordem ouvidas nas ruas londrinas, que se encheram com bandeiras iranianas e palestinianas e com retratos do ‘ayatollah’ Ali Khamenei.

“Parem as guerras de Trump”, “Parem a guerra contra o Irão”, “Parem de armar Israel” ou “Não à guerra contra o Irão” foram alguns dos slogans dos cartazes exigidos por alguns dos mais de cinco mil manifestantes, segundo estimativas da polícia citada pela Europa Press.

Entretanto, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou que o Reino Unido estaria a “considerar seriamente” enviar dois porta-aviões para o Médio Oriente.

O líder republicano revelou a intenção na sua rede social, Truth Social, acrescentando que os Estados Unidos já não “precisam” deles: “Não precisamos de pessoas que se juntem às guerras depois de já as termos vencido!”, disse citado pela agência de noticias espanhola EFE.

O Ministério da Defesa do Reino Unido indicou hoje que as Forças Armadas americanas começaram a usar bases militares britânicas para conduzir “operações defensivas” contra Teerão.

“Os Estados Unidos começaram a usar bases britânicas para operações defensivas específicas, a fim de impedir que o Irão lance mísseis na região, o que coloca em risco vidas britânicas”, revelou o Ministério da Defesa, na rede social X (ex-Twitter).

O aval de Londres para que os Estados Unidos utilizem algumas das suas bases militares, incluindo Fairford e Diego Garcia (no Oceano Índico) para realizar ataques contra o Irão, surge depois de o Governo britânico ter sido criticado pelo Presidente dos Estados Unidos por se recusar a permitir o uso dessas bases para os ataques iniciais conjuntos de Washington e Telavive contra o Irão.

“O que eu não estava preparado para fazer era levar o Reino Unido à guerra sem uma base legal e sem um plano viável e bem elaborado”, defendeu-se o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, na quarta-feira.

O Reino Unido, cuja base militar no Chipre foi atingida durante a madrugada de domingo para segunda-feira por um drone de produção iraniana, anunciou na quinta-feira o envio de caças adicionais e outros recursos militares, principalmente para reforçar suas defesas aéreas naquela ilha.

Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, tendo abatido durante a ofensiva o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989. O Conselho de Liderança Iraniano assume atualmente a direção o país.

O Irão lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projéteis iranianos também foram registados em Chipre e na Turquia.

SIM (JGA) // VAM

Lusa/FIM