
Hong Kong, China, 12 jun 2019 (Lusa) – Milhares de manifestantes, que protestam contra a lei da extradição, estão reunidos junto ao Conselho Legislativo de Hong Kong e a formar barricadas para impedir qualquer ação policial, horas antes de o texto ser debatido.
Junto ao parlamento, os manifestantes, sobretudo jovens, gritam palavras de ordem como “Não à China!” e “Precisamos de democracia!”. Uma esmagadora maioria enverga máscaras ou lenços a cobrir quase a totalidade da cara.
Alguns dos manifestantes que falaram com a Lusa, muitos deles estudantes, disseram estar dispostos a permanecer no local até que o Governo recue na intenção de avançar com as alterações à lei da extradição, que permitiriam a extradição de suspeitos para paÃses que não têm acordo com Hong Kong, como é o caso da China continental.
A polÃcia já bloqueou algumas vias no centro da cidade e posicionou-se para uma eventual intervenção no local onde os manifestantes repetem hoje o protesto de domingo, considerado o maior em Hong Kong em pelo menos mais de uma década.
Centenas de milhares de pessoas protestaram no domingo contra esta legislação, com os organizadores a falaram de mais de um milhão de pessoas na rua e as forças policiais a admitirem apenas a participação de 240 mil.
Algumas empresas anunciaram planos para fecharem as portas de forma a permitir que os funcionários se juntem à manifestação prevista para hoje, dia em que o Conselho Legislativo prossegue o debate sobre as emendas.
Proposto em fevereiro e com uma votação final prevista para antes do final de julho, o texto permitiria que a Chefe do Executivo e os tribunais de Hong Kong processassem pedidos de extradição de jurisdições sem acordos prévios.
Em teoria, os tribunais locais analisariam os casos individualmente e poderiam usar o poder de veto para impedir certas extradições no território semi-autónomo da China e antiga colónia britânica.
Os defensores da lei argumentam que caso se mantenha a impossibilidade de extraditar suspeitos de crimes para paÃses como a China tal poderá transformar Hong Kong num “refúgio para criminosos internacionais”.
Os manifestantes dizem temer que Hong Kong fique à mercê do sistema judicial chinês como qualquer outra cidade da China continental e de uma justiça politizada que não garanta a salvaguarda dos direitos humanos.
A transferência de Hong Kong e Macau para a República Popular da China, em 1997 e 1999, respetivamente, decorreu sob o princÃpio ‘um paÃs, dois sistemas’, precisamente o que os opositores à s alterações da lei garantem estar agora em causa.
Para as duas regiões administrativas especiais da China foi acordado um perÃodo de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nÃvel executivo, legislativo e judiciário, sendo o Governo central chinês responsável pelas relações externas e defesa.
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