
Telavive, 12 ago 2023 (Lusa) – Milhares de israelitas participaram hoje numa nova manifestação em Telavive contra o polémico plano do governo de reformar o sistema judiciário do paÃs, considerado pelos seus crÃticos como uma ameaça à democracia.
O anúncio do plano, em janeiro, liderado pela coligação do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, que inclui partidos de extrema-direita e judeus ultraortodoxos, desencadeou um dos maiores movimentos de protesto da história do paÃs, que mobiliza dezenas de milhares de manifestantes todas as semanas.
Segundo o governo, a reforma visa, entre outras coisas, reequilibrar poderes, ao reduzir as prerrogativas do Supremo Tribunal Federal, que o executivo considera politizadas, em favor do Parlamento. Mas os seus detratores acreditam que com aquela reforma o paÃs corre o risco de abrir um caminho para uma deriva antiliberal ou autoritária.
“Democracia, Democracia!”, gritavam hoje os manifestantes que se dirigiam para a Kaplan Street em Telavive. “Não vamos desistir até que a situação melhore. Saia da varanda, o paÃs está em colapso”, gritaram novamente.
“Apesar de meses de protestos, as coisas não estão a ir como querÃamos, porque uma parte significativa da reforma do sistema judicial foi aprovada [no parlamento] há algumas semanas”, afirmou à AFP um manifestante, Ben Peleg.
“Mas se continuarmos a fazer pressão nas ruas, é possÃvel que ainda consigamos travar estas mudanças”, espera este médico de 47 anos.
Uma primeira cláusula do projeto, que limita a possibilidade de o Supremo Tribunal invalidar uma decisão do governo, foi adotada pelo Parlamento.
O processo legislativo está atualmente suspenso devido às férias de verão do parlamento, com Netanyahu a prometer estar aberto a negociações sobre etapas futuras.
Os protestos foram apoiados por opositores polÃticos, grupos civis e religiosos, operários e trabalhadores da área das tecnologias, ativistas pela paz e militares na reserva.
Esses meses de protestos, conjugados com manifestações de apoio ao governo, levantaram receios de que se aprofundem as divisões na sociedade israelita.
“Israel está dilacerado e sentimos que estamos à beira de uma guerra civil”, acrescentou Peleg. “Quando saÃmos à s ruas para protestar, temos medo de quem apoia o governo. Esse governo tem que ser derrubado.”
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