
BrasÃlia, 06 abr 2022 (Lusa) — Milhares de brasileiros indÃgenas começaram na terça-feira a acampar em BrasÃlia, para defender os seus direitos e protestar contra o governo federal, que acusam de ter favorecido a exploração económica dos seus territórios.
Vestidos em trajes tradicionais, representantes de centenas de povos indÃgenas ocuparam um grande campo, localizado a quatro quilómetros do palácio presidencial, do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF), onde vão ficar até 14 de abril.
“Viemos aqui para pedir ao governo federal que acabe com as ameaças que pairam sobre os nossos territórios”, disse à Agence France Presse Sinésio Trovão, representante da etnia Maguta-Tikuna, um dos povos indÃgenas mais importantes do Brasil.
O acampamento anual, chamado de Terra Livre, teve as duas últimas edições canceladas devido à pandemia da covid-19.
O Presidente brasileiro Jair Bolsonaro chegou ao poder em 2019, com a promessa de abrir à s indústrias extrativas as reservas indÃgenas existentes, já duramente atingidas pela desflorestação, mineração ilegal e comércio ilegal de madeira.
Os povos indÃgenas representam cerca de 0,2% dos 212 milhões de brasileiros, mas as suas reservas ocupam cerca de 13% do território do paÃs.
Os povos acusam o governo de querer não só acelerar alguns projetos económicos que consideram prejudiciais ao meio ambiente, mas também aprovar uma lei que autorizaria a exploração mineira em reservas indÃgenas.
A principal luta passará por fazer frente ao chamado marco temporal, uma ação no STF, que poderá ser votada em junho, que defende que povos indÃgenas só podem reivindicar terras que ocupavam na data da promulgação da Constituição, em 05 de outubro de 1988.
“Muitas das terras ainda não foram demarcadas, ainda nem foram delimitadas”, não sendo possÃvel os indÃgenas possuÃrem os documentos das terras, explicou no domingo à Lusa Ana Paula, coordenadora do projeto Meninas na Luta (Cunhatai´ Ikha~).
“O Governo não faz esse estudo, não marca e não delimita as terras indÃgenas. Segundo a constituição, existe um direito originário: eles estavam aqui antes da chegada dos portugueses”, frisou.
Na manifestação, que terá como missão também dinamizar vozes no debate eleitoral, vão ser lançadas várias candidaturas indÃgenas para governadores, senadores e deputados à s eleições gerais de outubro.
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