
Portimão, Faro, 26 mar 2026 (Lusa) – O piloto Miguel Oliveira (BMW) assumiu hoje que “é possível sonhar” com uma vitória no Autódromo do Algarve no Mundial de Superbikes, embora sublinhe que a prioridade passa por avaliar o desempenho ao longo do fim de semana.
“Se é possível sonhar, é totalmente possível. Essa é a ambição enquanto piloto”, afirmou Oliveira, em declarações aos jornalistas, à margem de uma visita efetuada durante a manhã à zona ribeirinha de Alvor, no concelho de Portimão, no Algarve.
Acompanhado pelo português Tomás Alonso (Yamaha), piloto da Miguel Oliveira Team que disputa a categoria Sportbike, e dos pilotos italianos Yari Montella e Lorenzo Baldassarri, ambos aos comandos da Ducati, Oliveira disse que, além “de pensar em ganhar, o objetivo é dar a melhor ‘performance’ em casa”, no Grande Prémio de Portimão de Superbikes.
O piloto, de 31 anos, natural de Almada recordou que os últimos testes em Portimão decorreram de forma positiva, garantindo sentir-se confortável com a nova moto: “Os últimos testes aqui correram bem. Senti-me muito bem com a mota e fizemos o nosso trabalho para chegarmos aqui preparados para a corrida”.
Apesar da ambição de lutar pelos lugares cimeiros, Miguel Oliveira preferiu adotar “alguma cautela” quanto a uma eventual vitória, defendendo que o desempenho competitivo será mais claro com o evoluir das sessões.
“Vamos deixar o fim de semana desenrolar-se e perceber o que nos falta e onde estamos relativamente ao pelotão. Mas sinto-me preparado, sinto-me bastante bem”, assegurou, admitindo como meta realista posicionar-se “num top 5 ou pódio”.
Sobre a adaptação às Superbikes, após vários anos em MotoGP, o piloto destacou as diferenças técnicas e de pilotagem.
“A mota tem pneus completamente distintos daqueles que eu usava. Passei toda a minha carreira a conduzir motas protótipo, e toda a rigidez do chassis e as sensações mudam muito. A abordagem e o estilo de pilotagem são completamente distintos”, explicou.
Ainda assim, mostrou-se confiante na evolução: “Esta mota tem dado bons sinais. Tenho-me adaptado e, com o tempo, as coisas só podem ir melhorando”.
A correr em casa, no Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão, o piloto apelou também ao apoio dos adeptos portugueses.
“Ter o apoio do público é fantástico, por isso deixo o apelo a que todos venham desfrutar do bom sol do Algarve e das corridas”, disse.
Quanto à possibilidade de repetir em Portimão um triunfo alcançado em 2020 na categoria de MotoGP, Miguel Oliveira relativizou a importância de eventuais marcas históricas.
“Se acontecer, ótimo, mas não é algo que me faça dormir melhor à noite”, concluiu.
Caso vença este fim de semana, Miguel Oliveira junta-se a nomes como Max Biaggi, Carlos Checa ou Troy Bayliss a vencerem provas nos dois campeonatos. Bayliss foi mesmo o único a fazê-lo no mesmo ano (2006).
Oliveira esteve na categoria rainha do motociclismo mundial durante sete temporadas, de 2019 a 2025, somando cinco vitórias em 117 corridas, passando pela KTM (Tech3 e equipa oficial) e Aprilia (RNF/Trackhouse).
Num circuito que conhece bem, e apelidado pela maioria dos pilotos de “montanha-russa”, o piloto luso vai procurar contrariar o favoritismo do comandante do Mundial de pilotos, o italiano Niccollo Bulega (Ducati), que venceu as três primeiras corridas da época, na ronda australiana.
Miguel Oliveira chega a Portimão na sétima posição do Mundial de pilotos, com 17 pontos.
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