
Varsóvia, 14 out 2021 (Lusa) — A polÃcia polaca anunciou hoje ter descoberto o corpo de um homem, identificado como um migrante, na fronteira com a Bielorrússia, o que eleva para sete o número de mortes registadas na fronteira oriental da União Europeia (UE).
O corpo foi encontrado na quarta-feira “num campo, pela tripulação de um helicóptero que patrulhava a zona sob estado de emergência junto à fronteira bielorrussa, perto da localidade de Klimówka [nordeste da Polónia]”, informou a polÃcia através da rede social Twitter.
De acordo com o porta-voz das forças policiais locais, Tomasz Krupa, o corpo pertence a um migrante sÃrio de 24 anos.
“Segundo as primeiras informações recolhidas, esta pessoa esteve na Bielorrússia, como comprovaram documentos encontrados junto ao corpo”, referiu o porta-voz citado pelo diário Gazeta Wyborcza, precisando que o migrante possuÃa “um visto bielorrusso datado de meados de setembro”.
Na sequência desta descoberta, o Governo polaco convocou hoje o representante diplomático da Bielorrússia na capital polaca, Varsóvia, para abordar “a contÃnua deterioração da situação na fronteira” entre os dois paÃses.
O encarregado de negócios da embaixada bielorrussa, Aleksander Czesnowski, foi chamado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros polaco, segundo informou o porta-voz da diplomacia polaca, Lukasz Jasina.
Após a reunião, Lukasz Jasina informou que o representante bielorrusso rejeitou, em nome do Governo de Minsk, as acusações apontadas pelo executivo polaco sobre a realização de manobras provocatórias na zona fronteiriça pelas autoridades daquela ex-república soviética.
É a segunda vez que Varsóvia requer a presença deste representante diplomático bielorrusso.
No total, pelo menos sete pessoas morreram na zona fronteiriça oriental do território comunitário desde o verão passado, quando começou a ser testemunhado um intenso fluxo de migrantes procedentes da Bielorrússia, segundo as informações disponibilizadas pelas autoridades polacas, lituanas e bielorrussas.
Nos últimos meses, milhares de migrantes, grande parte oriundos do Médio Oriente, têm tentado entrar, através da Bielorrússia, na Polónia e nos paÃses bálticos Lituânia, Letónia e Estónia, todos Estados-membros da UE.
As fronteiras destes quatro paÃses fazem parte das fronteiras externas da UE, que tem acusado o regime bielorrusso de orquestrar este fluxo migratório, em retaliação à s sanções impostas pelo bloco comunitário ao regime de Minsk, nomeadamente por causa do desvio de um avião civil, em maio passado, e da detenção de um opositor que estava a bordo desse aparelho.
Em setembro, a Polónia decretou o estado de emergência na fronteira com a Bielorrússia, por temer as consequências deste fluxo migratório.
Organizações não-governamentais (ONG) criticaram então a medida do executivo polaco, argumentando que esta impedia as organizações humanitárias de fornecerem ajuda aos migrantes e negava o acesso à zona a todas as pessoas não-residentes, incluindo jornalistas.
Na quarta-feira, a Polónia deu outro passo para tentar travar a pressão migratória e anunciou que está a preparar a construção de um muro fronteiriço, projeto estimado em 353 milhões de euros e que também vai incluir a instalação de detetores de movimento.
Na passada semana, as autoridades da Polónia relataram que forças bielorrussas tinham disparado contra as tropas polacas destacadas na fronteira.
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