
Paris, 18 mai 2021 (Lusa) — A lÃder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, afirmou hoje que o afluxo maciço de migrantes a Ceuta ilustra que a polÃtica da União Europeia (UE) é um “buraco” e pediu para que se ponha termo à situação.
“Ao contrário das palavras tranquilizadoras dos nossos lÃderes, a UE é um buraco por onde todos entram. Isso tem de parar”, escreveu Le Pen numa mensagem na rede social Twitter.
Na mensagem, Le Pen associa uma informação do jornal Le Parisien em que se afirma que pelo menos 5.000 migrantes, mil deles menores, entraram segunda-feira na cidade espanhola de Ceuta a nado ou a pé, quando a maré baixa o permitiu.
A presidente da União Nacional (RN, na sigla em francês) e candidata à s presidenciais francesas de 2022 faz do combate à imigração uma das estratégias polÃticas que apresenta como um “fenómeno descontrolado”.
Outra é a crÃtica à UE, que censura pelas polÃticas “supostamente liberais” também em matéria de imigração, que têm como uma das consequências “a islamização da sociedade”.
No inÃcio de 2020, quando a Turquia anunciou que iria abrir as portas para que os migrantes (maioritariamente sÃrios) que alojava no paÃs pudessem entrar no espaço europeu, Le Pen exortou os 27 a reverter a sua polÃtica e a apoiar a Grécia para salvaguardar a identidade europeia.
Hoje, o ministro do Interior espanhol, Fernando Grande-Marlaska, referiu que cerca de 2.700 dos 6.000 migrantes que entraram ilegalmente em Ceuta nas últimas horas já foram devolvidos a Marrocos.
Numa conferência de imprensa depois do Conselho de Ministros em que a questão foi tratada, Marlaska disse que o Governo está a colocar desde o primeiro momento todos os meios necessários para proteger os cidadãos de Ceuta e devolver “através dos canais estabelecidos” aqueles que estão a entrar ilegalmente na cidade autónoma.Â
“Ceuta é tanto Espanha como Madrid, Sevilha ou Barcelona”, disse o ministro, que salientou que o executivo “não desistirá nem por um minuto” de tentar inverter a situação e continuará a “ser enérgico na defesa das fronteiras”.
O ministro do Interior (Administração Interna) espanhol assegurou que o executivo de Madrid irá proceder à “devolução imediata” das pessoas que estão a entrar “ilegalmente” no paÃs.
A fronteira que separa o território autónomo espanhol de Ceuta do reino de Marrocos registou hoje novas entradas de cidadãos marroquinos “por mar” tendo o exército de Espanha mobilizado efetivos para o local.
Pelo menos 5.000 migrantes, incluindo 1.000 menores, já tinham chegado a Ceuta na segunda-feira ao longo do dia, tratando-se, segundo as autoridades espanholas, de um número “recorde”.
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