
Barcelona, Espanha, 19 jun 2021 (Lusa) — O chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, defendeu hoje que a experiência comum de Espanha e Itália relativa aos fluxos migratórios para a Europa seja a base para alcançar uma polÃtica comum europeia sobre o tema.
Borrell apresentou esta proposta, numa gravação em vÃdeo, no âmbito do 18.º Fórum de Diálogo Espanha-Itália, a decorrer em Barcelona, Espanha, que teve na abertura os dois chefes de governo dos dois paÃses, Pedro Sánchez, de Espanha, e Mario Dragui, de Itália.
O também vice-presidente da Comissão Europeia dedicou grande parte da intervenção a analisar a situação no Mediterrâneo, lamentando que a esperança na convergência entre as duas margens não se tenha materializado, e que tenha crescido o fosso económico, assim como o demográfico.
Admitiu que estes aspetos vão impulsionar fluxos migratórios, que terão que ser enfrentados tanto na vertente económica, como social.
Salientando interesses comuns de Espanha e Itália no Mediterrâneo, Borrell referiu também a sua posição pioneira na gestão das correntes migratórias, muitas vezes em condições difÃceis, defendendo que a experiência que partilham deve ser usada numa polÃtica comum de migração da União Europeia.
“Uma polÃtica que nos faz muita falta e durante muitos anos fomos incapazes de construir”, disse o chefe da diplomacia europeia, acrescentando que uma polÃtica comum é necessária não apenas por razões humanitárias, mas no próprio interesse da união.
Referiu que a Europa necessita de imigrantes para inverter o declÃnio demográfico, manter o Estado Social e conseguir o desenvolvimento económico de todo o Mediterrâneo para assegurar a estabilidade geopolÃtica da região.
“Embora a União Europeia tenha encontrado a forma de apoiar o seu sul, ao nÃvel do Mediterrâneo e ao nÃvel global não pusemos em marcha mecanismos para que se ajude o sul global”, lamentou Borrell.
O responsável deixou ainda elogios ao papel destes dois paÃses na concretização dos mecanismos financeiros para fazer face à s consequências económicas da pandemia de covid-19, sublinhando que o acordo para os fundos europeus não foi fácil de alcançar, tendo sido necessário quebrar tabus como o de que não seria possÃvel recorrer aos mercados de forma conjunta.
Borrell aproveitou ainda o momento para se referir ao conflito entre Israel e a Palestina e à necessidade de encontrar uma solução, agora que Benjamin Netanyahu deixou de ser primeiro-ministro, o qual, disse o chefe da diplomacia europeia, tentou garantir segurança com recurso a um sofisticado aparato militar.
“Segurança não é paz e sem paz nunca haverá segurança”, disse, acrescentando que talvez seja a hora de avançar com um novo processo negocial que evite o agravar do conflito e que o desespero dos palestinianos resulte em mais violência.
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