
Porto, 28 fev 2026 (Lusa) – Cerca de um ano e meio após o fim das obras entre Casa da Música e Império, o metrobus do Porto arranca hoje a fase experimental gratuita ao público, que durará um mês até ao início do serviço comercial.
A fase experimental arranca hoje e o serviço, gratuito durante um mês, operará entre as 06:00 e as 22:00, com frequências de 10 minutos às horas de ponta e 15 minutos nos restantes horários, frequências previstas também para o serviço comercial que arranca em 01 de abril, sendo tempos abaixo do previsto aquando do anúncio do projeto, em 2021.
O metrobus é um autocarro a hidrogénio que irá circular nas avenidas Marechal Gomes da Costa e Boavista (nesta em via dedicada) e o serviço entre Casa da Música e Império tem duração prevista de 12 minutos, com paragem nas estações Guerra Junqueiro, Bessa, Pinheiro Manso, Serralves e João de Barros.
Para já, fica de fora a extensão serviço até à Anémona, com paragens em Antunes Guimarães, Garcia de Orta, Nevogilde e Castelo do Queijo, que está em obras.
O conjunto dos veículos e do sistema de produção de energia custaram 29,5 milhões de euros, estando previsto que o hidrogénio seja produzido na estação de recolha da STCP na Areosa, também ainda em obras. Para já, o abastecimento será feito em São Roque da Lameira.
A empreitada no terreno custou cerca de 76 milhões de euros.
A cidade aguardava há um ano e meio pela entrada ao serviço do metrobus, uma vez que no dia 23 de agosto de 2024 a Metro do Porto anunciou que “a empreitada do metrobus ficou terminada”, com exceção dos acabamentos nas estações, paisagismo e jardinagem, mas o serviço não pôde ser logo implementado devido ao atraso na chegada dos veículos.
A demora remonta à anulação do primeiro concurso público para aquisição dos autocarros e do sistema de produção de hidrogénio ‘verde’, que foi lançado em dezembro de 2022 e repetido em julho de 2023, oito meses depois.
Com a obra terminada mas sem autocarros, o canal do metrobus na Boavista foi aproveitado como ciclovia, tendo movimentos e associações do setor instado as entidades competentes a repensar o projeto “como um todo”, já que se mantiveram duas vias para automóveis e nenhuma para meios de mobilidade suave, apesar da sua utilização.
A Metro do Porto foi anunciando que estava a tentar receber os veículos até final de 2024, em janeiro, fevereiro e depois maio de 2025, mas o primeiro teste acabou por acontecer apenas em junho.
Os sucessivos atrasos levaram a polémicas públicas entre a Câmara do Porto e a Metro do Porto durante meses, incluindo trocas de acusações entre os respetivos presidentes (Rui Moreira e Tiago Braga), marcando também a campanha para as eleições autárquicas de outubro do ano passado.
O candidato do PSD/CDS-PP/IL Pedro Duarte, eleito presidente da Câmara, lançou uma petição para alterar a segunda fase do projeto (depois da Câmara ter proposto o mesmo à Metro) e interpôs uma providência cautelar para parar as obras da segunda fase (incluindo um abate de árvores que estava previsto), o que acabou por acontecer quando o seu apoiante Emídio Gomes chegou à presidência da Metro, acabando as obras por serem retomadas em novembro.
A polémica levou ainda ao atraso na assinatura do memorando entre autarquia, Estado, Metro e STCP sobre o projeto, que acabou por acontecer apenas em dezembro de 2025, ficando os últimos meses também marcados pela polémica da inversão de marcha em contramão em frente à Casa da Música, para evitar contorno da rotunda da Boavista.
Em janeiro de 2023 tinha sido acordada entre a Câmara e Metro essa solução, acabando por ser abandonada em 2025 com a justificação de testes insatisfatórios.
Em dezembro, Emídio Gomes confirmou que o veículo iria mesmo dar a volta à rotunda da Boavista, “mas para garantir que a operação decorre nos tempos previstos – penalizando a eficiência, mas garantindo a operacionalidade e os objetivos – haverá uma redundância de um veículo suplementar” em permanência na Casa da Música.
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