
Berlim, 27 mai 2020 (Lusa) — A chanceler alemã, Angela Merkel, advertiu hoje que as negociações sobre o fundo de recuperação da União Europeia (UE) proposto pela Comissão Europeia não sejam concluÃdas no próximo Conselho Europeu, marcado para 19 de junho.
“É claro que as negociações, que são difÃceis, não vão ser concluÃdas no próximo Conselho da UE”, disse Merkel numa conferência de imprensa em Berlim.
“O objetivo deve ser encontrar tempo suficiente no outono para que os parlamentos nacionais e o Parlamento Europeu possam discutir” o fundo e o plano de relançamento da economia europeia possa entrar em vigor a 01 de janeiro de 2021, acrescentou, citada pela agência AFP.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apresentou hoje uma proposta para um fundo de recuperação económica e social da crise provocada pela pandemia de covid-19 no valor de 750 mil milhões de euros, dois terços dos quais, 500 mil milhões de euros, canalizados para os Estados-membros através de subsÃdios a fundo perdido, e os restantes 250 mil milhões na forma de empréstimos.
Angela Merkel, que tinha apresentado, com o Presidente francês, Emmanuel Macron, uma proposta para um plano de 500 mil milhões de euros, financiado por emissão de dÃvida pela Comissão Europeia e distribuÃdo a fundo perdido, afirmou que a proposta hoje apresentada não a surpreendeu.
“Contém elementos que outros Estados-membros mencionaram”, relacionadas com “créditos e garantias”, disse a chanceler, citada pela agência EFE, referindo-se à s exigências dos paÃses que recusam um plano baseado exclusivamente em transferências a fundo perdido.
Mas, disse, a proposta franco-alemã “é a base” para o acordo entre os 27.
O plano da Comissão Europeia tem de ser aprovado pelo Conselho Europeu, constituÃdo pelos chefes de Estado e de Governo dos 27 Estados-membros, que, anunciou hoje o presidente do Conselho, Charles Michel, realizará a próxima cimeira a 19 de junho.
No seu discurso, no Parlamento Europeu, em Bruxelas, Von der Leyen disse esperar “um acordo polÃtico rápido” em torno das propostas hoje avançadas, defendendo que “um compromisso ao nÃvel do Conselho Europeu até julho é necessário para conferir um novo dinamismo à recuperação e equipar a UE com uma ferramenta poderosa para reerguer a economia” europeia, fortemente atingida pela crise provocada pela pandemia.
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