Menos de metade da ajuda prevista entra em Gaza – Autoridade Palestiniana

Cidade de Gaza, Palestina, 11 nov 2025 (Lusa) — A Autoridade Palestiniana afirmou hoje que o número de camiões com ajuda entrados em Gaza são apenas 41% do número acordado com Israel no cessar-fogo, “muito inferior” ao necessário para satisfazer as necessidades humanitárias. 

Os responsáveis palestinianos indicaram que, desde o início de outubro até às primeiras semanas de novembro, entraram em Gaza 9.424 camiões com ajuda, cerca de 348 transportes por dia, de acordo com um comunicado.

O cessar-fogo acordado entre Israel e o grupo islamita palestiniano Hamas ratificado em 09 de outubro estipulava que deviam entrar diariamente em Gaza entre 500 e 600 camiões com ajuda.

Além disso, de acordo com a Autoridade Palestiniana, desde o reinício do fornecimento de ajuda humanitária a Gaza, 36% dos camiões que entraram na Faixa eram do setor privado, “o que reduziu ainda mais o volume real da ajuda que chega aos civis”.

A Autoridade Palestiniana alertou igualmente que a ajuda que entra em Gaza é insuficiente em termos de qualidade, nomeadamente em termos de material médico e de abrigo.

“O equipamento essencial para as operações de emergência, como a remoção de escombros, a reabilitação de instalações médicas que funcionam parcialmente, a manutenção das redes de água e de esgotos e a reparação de casas parcialmente danificadas, também são objeto de restrições”, sublinhou a mesma nota.

As autoridades palestinianas apelaram à comunidade internacional para que pressione Israel a abrir todos os postos fronteiriços com Gaza “sem restrições” para permitir a entrada de ajuda humanitária no enclave.

A primeira fase do acordo de cessar-fogo – impulsionado pelos Estados Unidos com a mediação de Egito, Qatar e Turquia – inclui a retirada parcial das forças israelitas do enclave e o acesso de ajuda humanitária ao território, além da entrega de reféns feitos pelo Hamas. 

A etapa seguinte, ainda por acordar, prevê a continuação da retirada israelita, o desarmamento do Hamas, bem como a reconstrução e a futura governação do enclave. 

A trégua, em vigor desde 10 de outubro, foi ameaçada em 28 de outubro, após Israel ter bombardeamento o enclave palestiniano, no seguimento de dois incidentes com o Hamas, um relacionado com a morte de um soldado israelita e outro com a entrega de um corpo que não correspondia a nenhum dos reféns ainda por devolver. 

 

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