
Setúbal, 07 jan 2025 (Lusa) — O candidato presidencial Luís Marques Mendes acusou hoje os restantes adversários na corrida a Belém de quererem “criar dificuldades ao Governo” e instabilidade, e disse que é facilitador apenas de “consensos, convergências e entendimentos”.
No dia seguinte ao debate televisivo com os 11 candidatos a Presidente da República, o candidato apoiado por PSD e CDS-PP disse ter assistido a algo “que não estava à espera”.
“Dez candidatos que têm todos, por razões diferentes, uma preocupação: criar dificuldades ao Governo e criar dificuldades à estabilidade política em Portugal. Dez candidatos por razões diferentes, uns porque são candidatos partidários, outros porque têm aquela teoria de que os ovos não devem estar no mesmo cesto, e outro porque já prometeu que fará dissoluções e mais dissoluções”, acusou.
O candidato a Presidente da República considerou que “numa altura em que o país precisa de crescer, numa altura em que os salários precisam de aumentar, numa altura em que os impostos estão a baixar, estar alguém que quer ser Presidente da República fator de instabilidade não é uma boa ideia para o país”.
“O Governo foi eleito pelos portugueses. A gente espera que governe bem, mas tem que governar quatro anos, porque foi essa a decisão dos portugueses, e não é suposto um Presidente da República ser oposição ao Governo”, defendeu.
E sustentou que um chefe de Estado “não tem que ser nem amigo nem adversário do Governo, deve ser um árbitro”.
“O que eu ontem vi é um conjunto de candidatos que só têm duas preocupações, ou criar instabilidade ou criar dificuldades ao Governo, sobretudo numa altura em que nós temos que ajudar a que o Governo compre o seu mandato para apresentar resultados aos portugueses”, acrescentou.
Ao quarto dia de campanha oficial para as eleições presidenciais de dia 18, a caravana de Luís Marques Mendes esteve esta manhã em Setúbal, para uma visita ao Mercado do Livramento, precedida de uma arruada em que o candidato contou com o apoio da presidente da Câmara, Maria das Dores Meira, ex-PCP, que nas últimas autárquicas foi eleita como independente apoiada pelo PSD.
Ainda no rescaldo do debate, em que foi acusado por Gouveia e Melo de ter facilitado negócios, Marques Mendes respondeu hoje que “a única coisa verdadeira” é que tem sido “um facilitador, ao longo da vida, de consensos, convergências e entendimento”, aquilo que “verdadeiramente o país precisa”.
O antigo líder do PSD considerou que é atacado pelos adversários porque há sondagens que o apontam como “o favorito para ganhar e ser Presidente da República”, apesar de admitir que “as sondagens também falham”.
Sobre as dúvidas levantadas quanto ao seu passado, insistiu que “está tudo explicado”.
“Durante estes anos todos não tive um problema com a Ordem dos Advogados, não tive um problema com a Autoridade Tributária, nem com o Ministério Público, nem com o Tribunal Constitucional, nem com a Entidade da Transparência”, salientou.
Questionado sobre novas notícias quanto aos contratos da Marinha que envolvem Gouveia e Melo e também sobre o seu envolvimento em projetos de energia solar, Marques Mendes recusou “entrar em insinuações” e disse que as explicações cabem ao próprio.
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