
Lisboa, 29 jun 2026 (Lusa) – Os presidentes da Lusa e da RTP salientaram hoje que o memorando de entendimento assinado reforça o serviço público de media, com o responsável da agência de notÃcias a sublinhar que as linhas vermelhas estão bem definidas.
O memorando de entendimento entre a Lusa e a RTP, hoje assinado na Fundação Portuguesa das Comunicações, visa reforçar a eficiência e capacidade de resposta de ambas empresas de media, sem implicar qualquer integração orgânica, fusão institucional ou limitação da autonomia editorial.
“As linhas vermelhas estão bem definidas no memorando, no fundo é não haver fusão nem integração de redações, ou seja, o que existe são objetivos concretos, iniciativas concretas, pondo do lado esse fantasma de que falam à s vezes de integração de redações ou de fusão de empresas, isto não está em cima da mesa”, afirmou o presidente da Lusa, Joaquim Carreira, no final da assinatura do memorando.
Trata-se da colaboração a nÃvel de “estratégias que fazemos lado a lado, cada uma das empresas, com a sua autonomia, com a sua independência, autonomia financeira, autonomia de decisão, independência ao nÃvel das suas culturas – temos culturas diferentes, uma empresa é B2C [dirigida aos consumidores], outra é B2B [dirigida à s empresas] -, logicamente temos desafios comuns, mas temos atividades diferentes e culturas diferentes”, acrescentou Joaquim Carreira.
O presidente da Lusa enfatizou que “o memorando vem de uma forma transparente e densificada” indicar o que se pretende fazer ou não.
Entre as áreas, no âmbito do memorando, que vão ser avaliadas, o gestor apontou o “intensificar ou reforçar a questão da Lusa Verifica e também ao nÃvel de O Segredo do Algoritmo”.
Isto “de modo que tenhamos mais conteúdos, também através do reforço, mas isso é do nosso lado, da Lusa, nesta área de multimédia e na área do fact-checking, a questão da literacia mediática e de formação muito importante” como também a possibilidade de as duas empresas se candidatarem em conjunto a fundos europeus para várias áreas, acrescentou.
“O serviço público de media tem dois veÃculos muito importantes, tem a Lusa e tem a RTP”, prosseguiu Joaquim Carreira.
“Podem dizer que a Lusa é muito pequena, se calhar nos pequenos jornais em Portugal a Lusa é muito grande, a RTP é muito grande comparado com a Lusa, mas se vamos lá fora a RTP é muito pequena”, pelo que se “tivermos, de certa maneira, cooperação e colaboração, todos pequenos, conseguimos ser maiores” e ter uma cobertura maior.
“Podemos estar em mais sÃtios que, se calhar, a Lusa não está ou que a RTP não está” e “isto é fortalecer o serviço público”, rematou.
Por sua vez, o presidente da RTP, Nicolau Santos, salientou que o memorando de entendimento, do seu ponto de vista, “vai reforçar a colaboração entre as duas empresas e o serviço público, obviamente”.
Não tanto no aspeto informativo, porque já vinha a ser feito com regularidade, “mas sobretudo numa série de áreas que têm vindo a emergir com grande notoriedade, nomeadamente na questão da inteligência artificial, nomeadamente na candidatura a fundos europeus, na cibersegurança”, entre outros.
“Portanto, há uma série de áreas muito importantes onde nós, se estivermos em conjunto, poderemos seguramente responder de uma forma melhor e isso levar-nos-á seguramente a cumprir melhor os objetivos de serviço público quer a agência, quer a RTP tem”, salientou Nicolau Santos.
Atualmente, a IA “é um grande desafio para as redações, mas também o combate à desinformação, à manipulação de informação, passou a ser muito importante”.
Por exemplo, “a Lusa tem o Lusa Verifica e nós, baseado nesse Lusa Verifica, temos o programa do Algoritmo, A Verdade do Algoritmo” e isso “hoje em dia são desafios novos, não estavam plasmados no acordo que havia entre as duas empresas e que era de há muitos anos, já tinha várias décadas”, enquadrou.
Com este memorando, “sentimos necessidade, no fundo, de esclarecer melhor isso, de reforçar isso” e “é importante dizer que qualquer colaboração conjunta que nós tenhamos será objeto de um acordo especÃfico”, reforçou o presidente da RTP.
“Ou seja, este memorando de entendimento é um chapéu para aquilo que podemos fazer, mas depois todos os outros tipos de ações concretas serão objeto de um acordo especÃfico entre as duas partes”, rematou Nicolau Santos.
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