
Redação, 19 out 2026 (Lusa) — Os sete membros europeus dos 37 que integram o Conselho da FIFA enviaram hoje uma carta Gianni Infantino, presidente do organismo, com 42 perguntas, sobre as quais esperam resposta antes de 02 de novembro.
Em carta dirigida ao secretário-geral da FIFA, Mattias Grafström, os membros europeus exigem esclarecimentos em temas como pagamentos adicionais substanciais ao ítalo-suíço que não constam do relatório económico do organismo, informações sobre avultadas despesas de alojamento nos mundiais de 2022, no Qatar, e 2026, nos Estados Unidos, Canadá e México, ou de um aluguer de escritório na Torre Trump por quatro milhões de euros.
O presidente da UEFA, Alexander Ceferin, também vice-presidente da FIFA, o húngaro Sandor Csányi, a inglesa Debbie Hewitt, o montenegrino Dejan Savicevic, o romeno Razvan Burleanu, o alemão Bernd Neuendorf e a belga Pascale Van Damme compõe o grupo que questiona Infantino, que vai ter nova reunião do Conselho em 16 de novembro, em Doha.
O papel de Infantino no projeto FIFA Forward Enterprise (FFE), que visava alienar uma percentagem dos mundiais de futebol ao investimento privado, através de um elemento da família de Donald Trump, é outra das questões.
A forte repulsa de várias confederações e federações internacionais, com sucessivas reações de indignação perante esta ideia, levou o ítalo-suíço a retirar a proposta.
A decisão de permitir que o futebolista norte-americano Folarin Balogun jogasse no Mundial frente à Bélgica depois de ter sido expulso, situação inédita, após telefonema de Donald Trump, também exige explicações, tal como o alargamento para 27 minutos do intervalo da final, entre Espanha e Argentina, sem pedido prévio ao International Board (IFAB).
A missiva reclama uma resposta escrita e detalhada a cada pergunta, com justificação, e afirma que qualquer recusa em fornecê-la terá de ser igualmente explicada.
O grupo de dirigentes europeus entende que as futuras reformas de governação não podem substituir o escrutínio das decisões já adotadas e a prestação de contas.
É igualmente solicitada uma cópia da gravação da reunião do Conselho da FIFA realizada em 15 de outubro e de todos os materiais apresentados na mesma, quando Infantino se recusou a responder às dúvidas dos membros e soliticou perguntas por escrito, o que acontece agora.
São ainda levantadas questões sobre a independência e imparcialidade do presidente da Comissão Eleitoral da FIFA, o suíço Bruno Chiomento, que Infantino conhece há 20 anos e convida regularmente para eventos: perguntam se considera substituí-lo para as eleições de 18 de março de 2027.
A mesma inquietação sobre a neutralidade da administração da FIFA perante o pleno apoio que manifestou a Infantino após uma reunião em Rabat, em 05 de agosto, quando foi forçado a retirar o projeto FFE.
Infantino vai ter ainda de explicar a decisão, não partilhada, de criar o Prémio da Paz da FIFA e a sua atribuição a Donald Trump há um ano, galardão que agora vai ser avaliado pela Comissão de Responsabilidade Social do organismo.
A carta é assinada pelo secretário-geral da UEFA, Theodore Theodoridis, em nome dos sete membros europeus do Conselho.
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