Médio Oriente: Passagens em Ormuz continuam em queda e sobem em Bab el-Mandeb

Cairo, 07 ago 2026 (Lusa) — As passagens de navios comerciais pelo estreito de Ormuz continuaram a cair na quinta-feira, ao contrário das travessias no estreito de Bab el-Mandeb, porta de entrada no mar Vermelho, que estão a subir, informou hoje a plataforma Kpler.

O portal de monitorização marítima e análise de risco indicou oito passagens confirmadas no estreito de Ormuz na quinta-feira, uma redução de 33% em relação ao dia anterior, enquanto as travessias pelo estreito de Bab el-Mandeb aumentaram 18%.

Os dados seguem a tendência de redução em Ormuz já verificada na quarta-feira, quando foram registadas 12 travessias, menos três do que no dia anterior.

A maioria das embarcações que transitaram pelo estreito de Ormuz na quinta-feira utilizou “o esquema de navegação unilateral iraniano”, referiu a Kpler.

Segundo a plataforma, que baseia a sua análise em dados recolhidos pela empresa MarineTraffic, este sistema é um corredor imposto pelo Irão que obriga as embarcações comerciais que transitam pelo estreito de Ormuz a fazê-lo junto às águas territoriais iranianas, em vez de seguirem a rota internacional estabelecida pela Organização Marítima Internacional (OMI).

Esta redução do tráfego, também atribuída à incerteza das companhias de navegação, ocorre numa altura em que o Irão anunciou que chegou a um acordo na quarta-feira com Omã sobre a criação de uma rota marítima segura no estreito de Ormuz, por onde passavam 20% dos bens petrolíferos antes da guerra lançada em 28 de fevereiro por Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica.

As autoridades iranianas explicaram que esta nova rota passará parcialmente pelas águas territoriais do Irão e de Omã e permitirá o trânsito de embarcações comerciais sob um novo regime de gestão, substituindo as rotas provisórias estabelecidas pelos dois países.

Teerão e Mascate estão na fase final de elaboração de uma declaração conjunta sobre este entendimento.

Segundo várias plataformas de monitorização de tráfego marítimo, cerca de 70 embarcações foram atacadas no estreito de Ormuz desde o início da guerra entre Estados Unidos, Irão e Israel.

O diálogo entre Irão e Omã ocorre após o colapso do memorando de entendimento assinado pelos Estados Unidos e a República Islâmica em 17 de junho, que previa um cessar-fogo imediato e a abertura de negociações durante 60 dias com vista a um acordo de paz definitivo.

As partes voltaram porém à confrontação militar, com Teerão a repor as restrições no estreito de Ormuz e Washington a aplicar novamente um bloqueio naval aos portos iranianos.

A Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi (ADNOC), a principal empresa estatal de energia dos Emirados Árabes Unidos, informou hoje que 15 dos seus navios foram atacados no estreito de Ormuz nos últimos cinco meses, provocando a morte de um tripulante e ferimentos noutros 20.

Em comunicado, a ADNOC reafirmou o seu compromisso de continuar a satisfazer as necessidades dos seus clientes “apesar das circunstâncias e desafios excecionais”, referindo-se ao encerramento do estreito de Ormuz e aos ataques de retaliação iranianos contra as infraestruturas energética dos Emirados e de outros países árabes do golfo Pérsico.

A empresa de Abu Dhabi destacou também “a importância de se respeitar e proteger a liberdade de navegação e o direito de passagem segura das embarcações comerciais pelas vias navegáveis internacionais, livres de qualquer ameaça, obstrução ou ataque”.

Em contraponto à redução do tráfego comercial em Ormuz, a Kpler observou que a atividade no estreito de Bab el-Mandeb aumentou 18% na quinta-feira, atingindo 26 travessias confirmadas.

O estreito de Bab al-Mandeb está, no entanto, também sob ameaça dos rebeldes Huthis do Iémen, que impuseram um bloqueio marítimo à Arábia Saudita.

Na quinta-feira, os Huthis reivindicaram mais dois ataques contra petroleiros sauditas, no golfo de Aden e na costa de Yanbu, no mar Vermelho, elevando para nove o número de embarcações do reino árabe visadas pelos rebeldes iemenitas desde a imposição do bloqueio, no final de julho.

O reino árabe, principal exportador de petróleo da região, enfrenta não só interrupções no tráfego marítimo no estreito de Ormuz, como também no mar Vermelho, a principal via de escoamento das suas remessas de crude.

Foi neste quadro que os líderes da Arábia Saudita, Paquistão e Turquia assinaram hoje em Meca um acordo de defesa trilateral, que, segundo a declaração dos três países, prevê um sistema de proteção mútua, em que uma agressão contra um destes Estados é encarada como um ataque contra todos.

HB // SCA

Lusa/Fim