Médio Oriente: OMS envia 106 toneladas de ajuda humanitária para Gaza por via marítima

Limassol, Chipre, 01 abr 2026 (Lusa) — A Organização Mundial da Saúde (OMS) enviou hoje mais de 106 toneladas de ajuda humanitária para a Faixa de Gaza, a primeira entrega da iniciativa “Ponte Humanitária” que prevê a entrega de ajuda por via marítima.

A ajuda partiu do porto de Limassol, no Chipre, com destino à cidade israelita de Ashdod, que fica a menos de 400 quilómetros de Gaza, segundo relatou o serviço ONU News.

Após desembarcar em Israel, a ajuda humanitária será depois preparada para ser distribuída em Gaza pelas equipas da OMS que operam no terreno, afirmou a OMS, citada pelo ‘site’ informativo da ONU.

A iniciativa, que é realizada em parceria com o Governo cipriota, prevê a entrega de mais ajuda “eficiente e crescente de produtos essenciais” por via marítima, sublinhou a agência das Nações Unidas.

Segundo a OMS, a rota de abastecimento contempla o Chipre por ser considerado um ponto estratégico – está a apenas 370 quilómetros de Gaza – e pela posição do país junto da União Europeia (UE), que “facilita a rápida mobilização e o envio de provisões essenciais”.

“Estes parceiros proporcionam um corredor marítimo neutro, transparente e internacionalmente coordenado para a entrega de assistência a Gaza”, referiu a OMS.

Esta iniciativa, frisou ainda a OMS, possibilita “reduzir significativamente os prazos de entrega” e mitigar entraves operacionais que “limitaram o acesso humanitário no passado”.

“O plano da OMS é ampliar a prontidão operacional não apenas para Gaza a outras emergências e desastres em todo o Mediterrâneo Oriental”, acrescentou.

O envio desta ajuda através da iniciativa “Ponte Humanitária”, estipulado na Resolução 2720 do Conselho de Segurança da ONU, surge num momento em que Israel tem acusado várias agências da ONU de trabalharem com o grupo extremista palestiniano Hamas e de ter impedido a entrada de ajuda humanitária da Unicef, após alegadamente ter desmantelado uma operação de contrabando de tabaco.

Em meados de março, a Unicef anunciou num comunicado que iria conduzir uma investigação interna após ter sido informada pelas autoridades israelitas de que “foram encontradas embalagens de tabaco e nicotina num carregamento de ‘kits’ de higiene que estava a ser transportado para Gaza por uma transportadora comercial”.

Israel também cortou todos os contactos com Agência da ONU para os Refugiados Palestinianos (UNRWA), que acusa de servir de cobertura ao Hamas e acusou 19 dos seus 13 mil funcionários na Faixa de Gaza de estarem diretamente envolvidos nos ataques do grupo radical palestiniano em 07 de outubro de 2023 em solo israelita, que desencadearam o conflito no pequeno território.

No enclave palestiniano da Faixa de Gaza, devastado pela guerra entre Israel e o grupo islamita Hamas, a UNRWA é considerada pela ONU, pela maioria dos Estados-membros e outras organizações como a “espinha dorsal” da ajuda humanitária à população.

Um acordo de cessar-fogo está em vigor desde 10 de outubro de 2025 entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza, colocando fim a dois anos de guerra no enclave, desencadeada pelo ataque de 07 de outubro de 2023 do grupo extremista no sul do território israelita, no qual cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 sequestradas.

Em retaliação dos ataques do Hamas em outubro de 2023, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave palestiniano, que provocou mais de 72 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelo grupo islamita, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.

 

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