Médio Oriente: Força de paz no Líbano relata ataque contra militares internacionais

Beirute, 15 mar 2026 (Lusa) – A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL) informou que soldados internacionais foram alvejados hoje no sul do país, “provavelmente por grupos armados não estatais”, dois dias depois de outro ataque a uma base militar.

“Hoje, os soldados da FINUL foram alvejados três vezes, provavelmente por grupos armados não estatais, enquanto realizavam patrulhas em redor das suas bases”, afirmou a força da ONU, presente no sul do Líbano desde 1978.

A FINUL relatou que duas patrulhas ripostaram “em legítima defesa” e, após breves trocas de tiros, “retomaram as suas atividades planeadas”, acrescentando que nenhum soldado ficou ferido.

Forças israelitas e do grupo xiita Hezbollah voltaram aos confrontos armados no sul do Líbano, no seguimento da ofensiva aérea desencadeada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão.

Em apoio do seu aliado iraniano, o Hezbollah começou a lançar ataques aéreos desde o início do mês contra o norte de Israel, que respondeu com bombardeamentos intensivos em Beirute, vale de Bekaa e no sul do Líbano, onde expandiu as posições terrestres que já mantinha desde o conflito anterior.

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Gideon Saar disse hoje que Telavive não mantém “disputas graves com o Estado libanês”, mas com o Hezbollah, que acusa de se concertar com Teerão no lançamento de ataques aéreos contra o seu país.

Saar também criticou o Governo libanês por não ter tomado medidas eficazes para travar as ações do Hezbollah e que a normalização e a paz com Beirute dependem do fim das agressões do grupo xiita.

Na semana passada, o chefe do Governo israelita, Benjamin Netanyahu, acusou o Governo do Líbano de “brincar com o fogo” e que, se não fizesse nada para deter o Hezbollah, Israel faria por ele.

Segundo o portal de notícias norte-americano Axios, citando fontes israelitas e dos Estados Unidos, Israel planeia realizar uma “grande invasão” no sul do Líbano para eliminar a presença das milícias xiitas do Hezbollah.

O plano é tomar toda a área a sul do rio Litani, o que representaria a maior invasão terrestre do país vizinho desde 2006, ano da segunda guerra entre Israel e o Líbano.

Desde sexta-feira que o exército israelita começou a enviar reforços para a fronteira norte e está a mobilizar mais reservistas.

Além disso, nos últimos dias, o exército israelita emitiu avisos de retirada às populações em todo o sul do Líbano e, pela primeira vez, para as cidades e residentes a norte do rio Litani, que marcava a anterior demarcação das evacuações e também do território sob vigilância da FINUL e do exército libanês, supostamente vedado tanto a Israel como ao Hezbollah.

O líder do grupo xiita libanês, Naim Qassem, afirmou na sexta-feira que as suas forças estão preparadas para enfrentar um possível avanço israelita no sul do Líbano e também para “uma longa confrontação”.

Ao mesmo tempo, Naim Qassem exortou o Governo libanês a “parar de fazer concessões ao inimigo sem nada em troca”, instando-o a reverter as suas recentes decisões, em alusão à recente proibição das atividades militares do Hezbollah.

No mesmo dia, o Presidente libanês lamentou não ter recebido resposta de Israel sobre negociações para um cessar-fogo na guerra com o grupo xiita Hezbollah.

Após um encontro com o secretário-geral da ONU, António Guterres, Joseph Aoun indicou que já manifestou a sua “disposição para negociar” e disse que espera o apoio da comunidade internacional para o Líbano nesta “fase crítica”, quando Beirute já contabiliza 826 mortos, 2.105 feridos e acima de 800 mil deslocados.

António Guterres alertou pelo seu lado no sábado na capital libanesa que “não há uma solução militar” para o atual conflito e apelou para o diálogo e utilização das vias diplomáticas disponíveis.

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