
Luanda, 12 fev 2025 (Lusa) — O médico especialista em saúde pública Jeremias Agostinho disse hoje que Angola deve registar um aumento de casos de cólera nos próximos dias, mas rejeita um aparente descontrolo no combate à doença.
“Não há descontrolo [da cólera], é um comportamento esperado e nos próximos dias vão aumentar o número de casos”, afirmou hoje o especialista angolano, comentando o número crescente de casos de cólera pelo paÃs.
Segundo Jeremias Agostinho, as medidas para prevenir a cólera no paÃs “não são de fácil execução” e apontou os problemas ligados ao saneamento básico e de acesso à água como “grandes empecilhos” que concorrem negativamente para travar o surto, que já atingiu dez provÃncias angolanas.
A cólera continua a alastrar em Angola com mais 255 casos notificados em 24 horas, subindo para um total de 3.402, e seis mortos, somando agora 114 óbitos, segundo o último boletim do Ministério da Saúde.
Desde o inÃcio do surto, a 07 de janeiro, foi reportado um total cumulativo de 3.402 casos em dez provÃncias angolanas, sendo 1.661 em Luanda, 1.267 no Bengo, 433 no Icolo e Bengo, 16 no Cuanza Sul, seis no Huambo, seis na HuÃla, cinco no Zaire, cinco em Malanje, dois no Cuanza Norte e um no Cunene, com idades compreendidas entre 2 e 100 anos.
A ministra da Saúde de Angola, SÃlvia Lutukuta, assegurou, em finais de janeiro, que o Governo está a envidar esforços para controlar o surto de cólera antes do mês de março, com o objetivo de evitar a propagação da doença durante os meses de março e abril, perÃodo de intensas chuvas no paÃs.
Jeremias Agostinho considerou, por outro lado, que a contenção da propagação da doença até abril fica dependente da vacinação, argumentando que a vacina trava o contágio da doença.
Observou ainda que, em cada 100 pessoas com infeção pela bactéria, “80 [já vacinadas] não vão apresentar sintomas, mas transmitem e depois da infeção ficam imunes”, referiu.
Angola iniciou em 03 de fevereiro uma campanha de vacinação contra a cólera com inÃcio nas três provÃncias mais afetadas (Luanda, Bengo e Icolo e Bengo), tendo sido adquirido cerca de um milhão de vacinas.
DAS (RCR) // JMC
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