
Kinshasa, 02 jan (Lusa) – A epidemia de Ébola provocou em média, de 01 de agosto a 31 de dezembro de 2018, a morte de duas pessoas por dia nas provÃncias de Kivu Norte e Ituri, na República Democrática do Congo (RDCongo).
Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde congolês referentes ao perÃodo iniciado em 01 de agosto, data da declaração de epidemia naquelas provÃncias do nordeste da RDCongo, indicam que 357 pessoas morreram em 143 dias.
A maioria dos mortos (132) devido à contaminação com o vÃrus ocorreu em Beni, na provÃncia de Kivu Norte, cidade com 221 pessoas infetadas, localizada na região do grupo armado Forças Democráticas Aliadas (ADF, na sigla em inglês), que multiplicou os ataques contra civis, o que complicou a resposta sanitária.
Em Mabalako, na mesma provÃncia, morreram 66 pessoas desde 01 de agosto até ao último dia do ano passado, 16 com causa provável de contaminação de Ébola.
Nesse mesmo perÃodo, a OMS registou 591 casos de contaminação de pessoas em 143 dias na RDCongo, dos quais 48 ainda carecem de confirmação de infeção pelo vÃrus Ébola.
Do total de casos de contaminação na RDCongo nos últimos cinco meses, a OMS constatou 221 em Beni e 101 em Mabalako, enquanto Katwa, igualmente na provÃncia de Kivu Norte, registou 80 infetados.
Com a atualização de sete em sete dias, o perÃodo com mais mortes reporta-se de 16 a 25 de dezembro, com 41 pessoas a perderem a vida em consequência da infeção do vÃrus do Ébola, que se transmite por contacto fÃsico através de fluidos corporais infetados e que provoca febre hemorrágica.
O número mais expressivo de casos de contágio de 01 de agosto a 31 de dezembro, a grande maioria confirmados laboratorialmente, aconteceu de 19 a 26 novembro, tendo sido infetadas nesse perÃodo 48 pessoas.
Esta epidemia de Ébola foi constatada em Mangina, na provÃncia de Kivu Norte, alastrando até perto da fronteira com o Uganda, o que levou a ONU a inquietar-se com o risco de propagação da epidemia também à quele paÃs, ao Burundi, a Ruanda e ao Sudão do Sul.
O Governo da RDCongo admitiu que a epidemia de Ébola é já a maior da história do paÃs relativamente ao número de contágios.
“[Esta epidemia] ultrapassa o da primeira epidemia registada na história [da RDCongo] em 1976”, afirmou o ministro da Saúde congolês, Oly Ilunga Kalenga, num comunicado divulgado em novembro pela agência de notÃcias espanhola Efe.
A RDCongo foi atingida nove vezes pelo Ébola, depois da primeira aparição do vÃrus no paÃs africano, em 1976.
Em 1995, o vÃrus do Ébola provocou a morte a 250 pessoas na cidade de Kikwit, na provÃncia de Kwilu, no sudoeste da RDCongo.
“Nenhuma outra epidemia no mundo tem sido tão complexa como a que estamos a experimentar atualmente”, afirmou Ilunga Kalenga, recordando também a rejeição, as ameaças e as agressões habitualmente enfrentadas pelas equipas médicas e humanitárias que trabalham nas provÃncias de Kivu Norte e Ituri.
É a primeira vez que uma epidemia de Ébola é declarada numa zona de conflito, onde existe uma centena de grupos armados, o que leva à deslocação contÃnua de centenas de milhares de pessoas que podem ter estado em contato com o vÃrus.
A insegurança complica e limita o trabalho dos profissionais de saúde que sofrem ataques ou mesmo sequestros realizados por grupos rebeldes.
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