
Montemor-o-Velho, Coimbra, 23 fev 2026 (Lusa) — O presidente da Câmara de Montemor-o-Velho reclamou hoje obras urgentes no sistema hidráulico do Mondego e financiamento por parte do Governo, para fazer face aos danos provocados por 22 dias de cheias naquele concelho do distrito de Coimbra.
“A dimensão dos danos irá necessitar de financiamento urgente e extraordinário”, disse José Veríssimo aos jornalistas, durante uma conferência de imprensa convocada para fazer um balanço das inundações das últimas semanas.
Sobre o sistema hidráulico do Mondego, cuja gestão é da responsabilidade da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), o autarca vincou a “necessidade urgente de manutenção regular”, observando que esta não tem sido feita, e que o projeto hidráulico — iniciado na década de 1970 e ainda por concluir — tem de ser reformulado e concretizados “os investimentos há muito anunciados”.
Após uma reunião, na semana passada, com a APA e outros municípios da região, José Veríssimo constatou a existência de promessas de investimento no Baixo Mondego, notando, no entanto, que “ainda não ficou nada escrito”.
O presidente do município do Baixo Mondego frisou que a APA “pediu 15 dias” para apresentar um estudo sobre as intervenções a realizar, também para o chamado canal condutor geral (o chamado canal de rega, que fornece água para a agricultura, indústrias e abastecimento público da Figueira da Foz) danificado em vários pontos do seu percurso.
“A APA não se conseguiu comprometer [com uma data] para o canal de rega. Em 15 dias terá uma solução para a situação”, disse o autarca.
Ao nível agrícola, José Veríssimo notou que a água “permanecerá semanas” nos campos do vale do Mondego e que a terra “precisa de tempo para recuperar”, e, para além dos agricultores terem acumulado prejuízos com as cheias, as sementeiras “poderão estar comprometidas”, avisou.
Embora Montemor-o-Velho não tenha ainda o total dos prejuízos contabilizados, ascendendo estes a vários milhões de euros (ME), José Veríssimo avançou com uma estimativa de 2,3 ME só para o centro náutico municipal — ao nível dos sistemas eletrónicos e da torre de chegada, devido a “uma das situações hidrológicas [no Mondego] mais exigentes dos últimos anos”.
Dados hoje revelados pelo município sobre os 22 dias de “emergência ativa” relacionados com as cheias e a depressão Kristin, apontam para 88 habitações alagadas e 171 pessoas retiradas de casa por inundação ou risco de inundação, que estiveram sete dias, em média, fora da sua habitação.
O mau tempo afetou ainda 45 cães e gatos e 10 empresas e as operações de socorro, logística e segurança envolveram mais de 100 operacionais, de 15 corporações de bombeiros, Proteção Civil, GNR, Forças Armadas e Cruz Vermelha Portuguesa, apoiados por dezenas de veículos, duas lanchas anfíbias e 12 embarcações.
José Veríssimo lembrou que a povoação da Ereira esteve 14 dias isolada pelas águas e lamentou a morte de um casal residente em Verride, cuja viatura foi encontrada submersa pelas águas do rio Pranto, apresentando condolências aos familiares.
“Isto ultrapassa qualquer balanço técnico, porque por detrás dos números está a vida das pessoas”, enfatizou.
Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
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