
Lisboa, 02 jul 2026 (Lusa) — O coordenador da Estrutura de Missão para a Reconstrução da Região Centro do PaÃs defendeu hoje a importância da mão-de-obra imigrante na recuperação dos territórios afetados pelas tempestades, sobretudo nos setores florestal e da construção civil.
Em declarações à agência Lusa, Paulo Fernandes, explicou que a escassez de trabalhadores é um dos principais constrangimentos à execução dos trabalhos de reconstrução, apontando a necessidade de cerca de 250 operadores de máquinas pesadas, motosserristas e outros profissionais especializados para a remoção de árvores derrubadas e a redução do risco de incêndio.
“Nós temos feito um apelo à s fileiras por causa da questão da floresta, quer do pinho, quer do eucalipto, para ajudarem neste trabalho dantesco que temos pela frente, que é reduzir os riscos por causa da madeira caÃda, da floresta caÃda, decorrentes das tempestades”, afirmou o responsável à Lusa, no final de uma audição parlamentar, em Lisboa.
Paulo Fernandes explicou que a falta de trabalhadores está também a dificultar a concretização de pequenas obras de reparação em habitações danificadas, referindo casos de proprietários que esperam até 18 meses para conseguir contratar empresas para intervenções de menor dimensão.
Para fazer face a estas necessidades, o coordenador indicou que a Estrutura de Missão está a articular-se com o Governo, a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) e as “principais fileiras florestais” para identificar trabalhadores especializados que possam ser recrutados no estrangeiro.
“É preciso complementarmos aquilo que temos no nosso paÃs de mão-de-obra, sobretudo no setor florestal e na construção civil, com algum esforço com outros grupos de população, como possa ser a nossa população migrante existente no nosso paÃs”, defendeu.
Por outro lado, questionado sobre o financiamento disponÃvel para a reconstrução, Paulo Fernandes referiu que já foram mobilizados cerca de 4,2 mil milhões de euros para a recuperação dos territórios afetados, estimando que o montante global possa atingir 5,3 mil milhões de euros com recurso a fundos comunitários e ao setor segurador.
A esse propósito, o coordenador da Estrutura de Missão considerou “útil” os cerca de 250 milhões de euros que estão previstos chegar a Portugal através do fundo europeu de emergência.
Já sobre a situação de reposição das telecomunicações nas zonas afetadas, indicou que a rede móvel já se encontra praticamente restabelecida na generalidade do território.
No entanto, a rede fixa continua por repor em cerca de 2.600 habitações, embora os dados mais recentes apontem para a conclusão desses trabalhos durante o mês de julho, antecipando a previsão inicial, que apontava para outubro.
O responsável explicou que a fase atual consiste sobretudo na consolidação das intervenções efetuadas logo após as tempestades, reconhecendo que algumas infraestruturas foram repostas em contexto de emergência e necessitam agora de trabalhos adicionais para garantir a “estabilidade e qualidade do serviço”.
Nesse sentido, Paulo Fernandes ressalvou que está a ser dada prioridade às localidades e habitações que permanecem sem qualquer acesso a comunicações, quer por rede fixa quer por rede móvel.
O coordenador da Estrutura de Missão para a Reconstrução da Região Centro do PaÃs foi ouvido esta tarde no parlamento pela Comissão Eventual para a Resiliência Nacional, Prevenção de Catástrofes Naturais e acompanhamento do PTRR – Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência.
Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem, entre janeiro e fevereiro, das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.
   Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuÃzos de milhares de milhões de euros.
   As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
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