
Remexio, Timor-Leste, 21 abr (Lusa) – O ex-Presidente timorense e número dois da coligação da oposição AMP, Taur Matan Ruak, pediu hoje a participação máxima nas eleições legislativas antecipadas de 12 de maio, e uma “concentração” de votos para “um parlamento e um Governo fortes”.
“Vão votar. No ano passado não votaram 176.951 timorenses. É demais”, disse, num pequeno comÃcio no Remexio (Aileu), cerca de 25 quilómetros a sul de DÃli. “Aqui no Remexio não votaram 1.154. Têm de votar. Querem coisas para a terceira idade, veteranos, escolas, saúde, estradas, mas depois não votam?”, insistiu.
O comÃcio é da Aliança de Mudança para o Progresso (AMP), a coligação das três forças da oposição – Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT) de Xanana Gusmão, Partido Libertação Popular (PLP) de Taur Matan Ruak e Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO) de José Naimori.
A coligação nasceu depois da formação do Governo minoritário liderado pela Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), como uma Aliança de Maioria Parlamentar (AMP), e evoluiu para a nova nomenclatura na véspera da campanha, com o regresso a Timor-Leste de Xanana Gusmão após meio ano de ausência em que liderou as negociações com a Austrália para o tratado de fronteiras marÃtimas.
Escondida nas montanhas de Aileu, a sul de DÃli, a vila do Remexio foi palco de um reencontro histórico quando a 24 de outubro de 1999 Xanana Gusmão, acabado de regressar a Timor-Leste depois de estar preso na Indonésia durante sete anos se reencontrou com o seu sucessor no comando do braço armado da resistência, Taur Matan Ruak.
A força do CNRT na região nota-se pelas muitas bandeiras que decoram as casas ao longo da estrada Ãngreme e esburacada que leva à pequena vila.
Aqui, como noutras zonas, a ‘cor’ polÃtica de muitos habitantes veste-se à porta de casa ou dos quiosques, nas bandeiras atadas a paus mais ou menos direitos de bambu. E se há bandeiras de várias das forças concorrentes, incluindo muitas da Fretilin, as dominantes nesta zona são as do Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT).
No próprio minicomÃcio, e apesar do esforço da AMP ‘marcar’ a identidade da coligação, uma fatia significativa das bandeiras são do CNRT, o partido que liderou o Governo entre 2007 e 2017 enfrentando, nos cinco últimos anos as crÃticas do Presidente Matan Ruak.
O choque entre os dois foi particularmente aceso – o Presidente criticou repetidamente o programa e a ação do Governo, vetou o orçamento e chegou a comparar Xanana Gusmão ao ditador indonésio Suharto.
As diferenças parecem resolvidas. Ainda que alguns veteranos em Timor-Leste digam que se trata de uma tática de guerrilha: une-te ao teu adversário, para combater o inimigo comum, neste caso a Fretilin.
Como se evidenciou, no palco, antes de Matan Ruak, com a intervenção de um veterano da zona, Gil da Costa Monteiro, natural de Ainaro, ainda mais a sul, mas que durante o perÃodo da resistência à ocupação indonésia operava na zona, com o nome código Uan Soru.
Um discurso praticamente virado para o passado, para o perÃodo da luta, para comentários sobre quem é quem, quem fez o quê, com crÃticas aos lÃderes da Fretilin, e ao seu lÃder, Mari Alkatiri.
Depois, num discurso mais calmo, Taur Matan Ruak falou do processo polÃtico dos últimos meses até à s eleições antecipadas de 12 de maio, um voto do qual, defendeu, deve sair “um parlamento forte e um Governo forte” para liderar o desenvolvimento do paÃs.
“Não podemos perder tempo. Um Governo forte precisa de lÃderes fortes e a AMP tem lÃderes fortes e experimentes”, afirmou.
“Muitos dizem que a AMP não tem programa. Mas temos programa nacional e programas municipais. Isso é o mais importante para a nação. Aileu, por exemplo, será a Cidade Universitária”, contou.
O programa, disse, quer lidar com os problemas essenciais que a população continua a relatar: desde os veteranos e ex-combatentes, á habitação, saúde e estradas com “um investimento de qualidade na educação”.
“Temos muitos jovens. Temos que investir na educação e emprego. Para criar uma oportunidade de melhorar a qualidade de vida. Temos que aumentar a produção agrÃcola”, afirmou.
Um processo, afirmou, para que “não bastam palavras de ordem” mas sim um manual polÃtico e um programa que “sirva o desenvolvimento do paÃs”.
Sem os dois lÃderes com quem tem dividido muitos dos palcos da campanha – Xanana Gusmão saiu hoje do paÃs para uma deslocação a Nova Iorque e José Naimori estava noutro evento partidário – Matan Ruak pediu que todos votem e que “concentrem os votos”.
“O CNRT no Remexio tem muito apoio e agora a AMP tem muito apoio”, disse, afirmando que “é tempo de unir” esforços.
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