
Ovar, Aveiro, 11 jan 2025 (Lusa) — O comentador polÃtico LuÃs Marques Mendes disse hoje que Portugal precisa de potenciar as condições que vive atualmente de estabilidade, credibilidade e atratividade, para resolver as questões da pobreza, nomeadamente daquilo que chamou de pobreza empregada.
“Nós precisamos de potenciar, consolidar, desenvolver aquilo que temos de estabilidade, credibilidade e atratividade, para resolver as questões da pobreza envergonhada, dos sem-abrigo, da pobreza em geral, sobretudo da habitação que é dos maiores dramas da sociedade portuguesa”, disse Marques Mendes, durante o 5.º Encontro Nacional de Autarcas Social-democratas, que decorre em Ovar, no distrito de Aveiro.
Marques Mendes, que foi ovacionado de pé quando entrou na sala do Centro Cultural de Ovar, começou por recordar que foi autarca pela primeira vez aos 19 anos, tendo desempenhado o cargo de vereador e vice-presidente da Câmara de Fafe, entre 1977 e 1985.
“Desde esse momento fiquei com a ideia que ser autarca numa freguesia ou municÃpio é sacerdócio e verdadeiro serviço público”, afirmou o ex-presidente do PSD.
No seu discurso, Marques Mendes realçou que face aos desafios que a Europa enfrenta atualmente, Portugal vive “um tempo de exceção”, sendo, ao contrário de muitos paÃses europeus, um paÃs com estabilidade, para além de ser “altamente credÃvel” e beneficiar de uma tendência de atratividade.
“Olhando para o Estado de Europa e do Mundo, é importante valorizar isto que temos. Porque isto não é tanto importante do ponto de vista do polÃtico A ou B, isto é importante do ponto de vista das pessoas. Quando há estabilidade, credibilidade, atratividade para investimento, a vida das pessoas tende a melhorar. Quando não há estabilidade, credibilidade e atratividade, a vida das pessoas fica mais difÃcil”, afirmou.
O ex-presidente do PSD alertou, contudo, para um problema que surgiu no paÃs nos últimos anos a que chamou de “pobreza empregada”, que afeta milhares de portugueses.
“Estamos a falar de pessoas, muitas pessoas, de Norte a Sul do paÃs, que têm um emprego, à s vezes dois empregos, mas que chegam ao fim do mês e o seu salário não dá para pagar todas as despesas da famÃlia, por causa do aumento do custo de vida que aconteceu nos últimos anos, e que foi forte, e por causa, sobretudo, dos preços insuportáveis da habitação. Isto é pobreza”, sublinhou.
Num ano em que o paÃs vai disputar as eleições autárquicas, Marques Mendes disse ainda que é preciso “introduzir a ideia de ambição com mais força na sociedade portuguesa”.
“Às vezes perdemos esta ambição, valorizamos o que vem de fora e desvalorizamos o que fazemos cá dentro. Nós temos a todos os nÃveis exemplos notáveis de sucesso. Temos é que os valorizar e, acima de tudo, mudar o nosso ADN. Uma nova ambição de facto para Portugal começa na freguesia, continua no municÃpio, acaba no paÃs”, concluiu.
Questionado pelos jornalistas, Marques Mendes recusou-se a falar sobre a sua eventual candidatura à Presidência da República, tendo acrescentado que hoje “já tinha falado de mais”.
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