
Caracas, 01 dez 2024 (Lusa) — A lÃder da oposição venezuelana Maria Corina Machado instou hoje os cidadãos a pedir ao Tribunal Penal Internacional (TPI) que faça justiça em relação aos crimes contra a humanidade alegadamente perpetrados pelo Governo da Venezuela.
“Hoje elevamos o nosso clamor unânime perante o Tribunal Penal Internacional, onde já apresentámos provas suficientes para que seja feita justiça. Em todas as cidades do mundo onde há um venezuelano, protestamos para dizer uma mensagem muito clara: TPI, atua agora”, apelou.
O pedido de Maria Corina Machado teve lugar num áudio divulgado nas redes sociais, no dia em que venezuelanos radicados em diferentes paÃses realizam protestos para exigir justiça à quela instância judicial.
Maria Corina Machado começou a mensagem explicando que “é indignante” a situação que estão a viver todos os venezuelanos.
“O regime deixou-nos sem água, sem eletricidade, sem saúde, sem educação, sem justiça, sem as nossas famÃlias. Persegue todos só porque dizem a verdade. Para onde havia luz, este regime trouxe literalmente a escuridão […], mas a verdade é que ninguém nos pode obrigar a esta humilhação. Ninguém. Nós temos a chave da mudança e em mais ninguém”, afirmou.
Por outro lado, referiu, hoje começou “o tempo do advento, de preparação para a chegada do Natal, para um novo nascimento do Menino Deus”, o que “significa a possibilidade de um novo começo”.
“Deus fez-nos livres e, portanto, capazes de forjar o nosso próprio destino […]. Devemos preparar-nos para derrubar os velhos muros que nos separam deste novo tempo. Um tempo que já decretámos nas últimas eleições [presidenciais, de 28 de julho], quando elegemos Edmundo González como nosso novo Presidente”, sublinhou.
A lÃder da oposição instou os venezuelanos a refletir tendo em conta o “caráter invencÃvel” da sua luta. Segundo Maria Corina Machado, se os venezuelanos permanecerem unidos e decididos, ninguém poderá impedir que se faça valer o mandato popular emitido em 28 de julho.
“Defendamos, pois, as nossas vÃtimas inocentes, os nossos heróis, os nossos rapazes, os nossos corajosos compatriotas que deram tudo por tudo nesta luta. É tempo de solidariedade e de nos unirmos como nunca antes”, afirmou.
Os venezuelanos, acrescentou, vão “mostrar ao regime e ao mundo de que são feitos e que merecem a liberdade que Deus lhes prometeu”.
A Venezuela realizou eleições presidenciais em 28 de julho, após as quais o Conselho Nacional Eleitoral atribuiu a vitória ao Presidente e recandidato Nicolás Maduro, com pouco mais de 51% dos votos, enquanto a oposição afirma que Edmundo González Urrutia obteve quase 70% dos votos.
A oposição venezuelana e muitos paÃses denunciaram uma fraude eleitoral e exigiram que sejam apresentadas as atas de votação para uma verificação independente.
Os resultados eleitorais foram contestados nas ruas, com manifestações reprimidas pelas forças de segurança, com o registo, segundo as autoridades, de mais de 2.400 detenções, 27 mortos e 192 feridos.
O Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela ainda não divulgou as atas do sufrágio desagregadas por assembleia de voto.
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