
Atouguia da Baleia, Leiria, 18 mai 2022 (Lusa) – Mais de meia centena de tratores agrÃcolas circulam hoje em marcha lenta e a buzinar na região Oeste em protesto contra o aumento dos custos de produção, que não conseguem refletir no preço de venda dos produtos agrÃcolas.
Cerca de meia centena de veÃculos concentraram-se na Lourinhã, no distrito de Lisboa, de onde saiu por volta das 08:30, tendo chegado cerca de uma hora depois à Atouguia da Baleia, onde os esperavam mais cerca de 20 tratores.
Depois de se concentrarem na Atouguia da Baleia, no concelho de Peniche (distrito de Leiria), pelas 10:00 os tratores agrÃcolas seguiram para Óbidos em direção a Caldas da Rainha, onde vão entregar um caderno reivindicativo na delegação da Direção Regional de Agricultura de Lisboa e Vale do Tejo, também no distrito de Leiria.
“Queremos fazer-nos ouvir, manifestar as nossas preocupações junto do Governo e pedir algumas medidas de apoio”, afirmou à agência Lusa Rui Santos, agricultor há mais de 20 anos que disse que tem vindo “a trabalhar de calculadora na mão”, face aos aumentos constantes dos fatores de produção e dos combustÃveis, sem “conseguir tirar rentabilidade”.
“Estamos a falar de muitos aumentos em tão curto espaço de tempo e é impossÃvel fazer refleti-los nos preços de venda dos nossos produtos”, acrescentou.
LuÃs Ferreira, produtor há mais de 30 anos, explicou que a guerra na Ucrânia “não está a ajudar à exportação dos produtos, porque, se tivessem escoamento, não se enchiam tanto os mercados mais próximos”.
Segundo o agricultor, é a produção que está a absorver todos os custos, tendo em conta o preço de venda final dos produtos aos consumidores, pelo que defende uma entidade que regule os preços dos produtos agrÃcolas desde o produtor até ao consumidor final.
“O gasóleo, os adubos estão o dobro mais caros, todos os custos que temos subiram, menos o preço dos nossos produtos à saÃda do armazém”, referiu Pedro Malaquias, agricultor há mais de 20 anos.
Da mesma opinião, Jorge Pereira, agricultor também há mais de duas décadas, disse que, a manter-se o aumento dos custos e “se os produtos continuarem a não ter saÃda nem para exportação, é difÃcil continuar no setor”.
Com o protesto, os agricultores pedem apoios diretos ao consumo de combustÃveis e da eletricidade, isenção de impostos no gasóleo agrÃcola à semelhança do que acontece na pesca, investimentos do Governo em infraestruturas de armazenamento de água para combater os perÃodos de seca e uma efetiva regulação dos preços dos produtos agrÃcolas.
Entre março de 2021 e março deste ano, os custos com os fatores de produção aumentaram 166,5% e a eletricidade, necessária para combater o perÃodo de seca, 28,7%, referiram as organizações organizadoras do protesto (Associação Interprofissional de Horticultura do Oeste, Louricoop, Adega Cooperativa da Lourinhã e Cooperativa AgrÃcola de Peniche), citando dados oficiais.
Só no primeiro trimestre deste ano, acrescentaram, o gasóleo simples aumentou 33% e o gasóleo verde 43%, sendo indispensáveis à s tarefas mecanizadas e à rega na agricultura, assim como à s atividades logÃsticas do setor.
Citando dados do Instituto Nacional de EstatÃstica, as organizações promotoras da marcha lenta alertaram para variações negativas nos Ãndices de preços dos hortÃcolas frescos e da batata, comparando 2021 e 2022, sendo de -25,6% nos hortÃcolas e de -20,3% na batata entre janeiro de cada ano.
As quatro promotoras da marcha lenta têm reunião marcada hoje à tarde com o secretário de Estado da Agricultura.
FCC // ROC
Lusa/fim
Â
Â



