
Lisboa, 13 out 2022 (Lusa) — O Presidente da República dirigiu-se hoje à s vÃtimas de abusos sexuais, em particular por parte de responsáveis da Igreja Católica Portuguesa, pedindo desculpa se ofendeu “uma que seja” dessas pessoas com as suas declarações de terça-feira.
À saÃda de uma iniciativa na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa fez uma curta declaração aos jornalistas, com uma “primeira palavra” dirigida “à s vÃtimas dos abusos sexuais, todos eles, mas nomeadamente em particular agora aqueles que vêm da parte de responsáveis da Igreja Católica, sacerdotes e outros responsáveis”.
“E essa palavra é muito simples: é dizer-lhes que a minha intenção não foi ofender quando disse o que disse, mas se porventura entenderam, uma que seja das vÃtimas que está ofendida, eu peço desculpa por isso, porque não era esse o meu objetivo”, afirmou o chefe de Estado.
“O meu objetivo era exatamente o contrário: o temer que muitas vÃtimas, por medo, por limitação, não tivessem falado e o número, que deveria ser ainda mais alto, tivesse ficado por onde ficou”, acrescentou.
Na terça-feira, questionado sobre a recolha de 424 testemunhos de abusos sexuais contra crianças na Igreja Católica em Portugal, o Presidente da República disse não estar surpreendido, salientou que “não há limite de tempo para estas queixas” que têm estado a ser recolhidas, algumas relativas “há 60 ou há 70 ou há 80 anos”.
“Significa que estamos perante um universo de pessoas que se relacionou com a Igreja Católica de milhões ou muitas centenas de milhares”, prosseguiu Marcelo Rebelo de Sousa, concluindo: “Haver 400 casos não me parece que seja particularmente elevado, porque noutros paÃses e com horizontes mais pequenos houve milhares de casos”.
Face à s crÃticas que as suas declarações suscitaram, o chefe de Estado divulgou uma nota a explicar que “este número não parece particularmente elevado face à provável triste realidade, quer em Portugal, quer pelo mundo”, admitindo que “terá havido também números muito superiores em Portugal”.
Depois, o Presidente da República falou para a RTP e para a SIC a reforçar a mesma mensagem, reiterando que 424 queixas lhe parece um número “curto” face ao que estima ser a realidade, declarando que aceitava democraticamente as crÃticas que recebeu, mas não as compreendia.
Os 424 testemunhos foram recolhidos pela designada Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais contra as Crianças na Igreja Católica Portuguesa, uma estrutura constituÃda por decisão da Conferência Episcopal Portuguesa e coordenada pelo pedopsiquiatra Pedro Strecht.
IEL // ACL
Lusa/Fim



