
Lisboa, 03 mai (Lusa) — O Presidente da República manifestou-se hoje preocupado com o contexto europeu e internacional, advertindo que a União Europeia deve preparando-se agora para anos de “débeis lideranças” e que se vive “um quase aparente regresso à guerra fria”.
Marcelo Rebelo de Sousa, que falava na abertura da 3.ª Conferência de Lisboa, dedicada ao tema do “Desenvolvimento em tempos de incerteza”, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, retomou nesta ocasião a sua mensagem de apelo à modernização dos sistemas polÃticos que, no seu entender, estão em “galopante atraso”, assim como o direito.
Nesta ocasião, o chefe de Estado voltou também a criticar a proposta de orçamento comunitário da Comissão Europeia, reiterando que está “longe de representar um bom ponto de partida”, e argumentou que “uma União Europeia que falhe na coesão interna é uma União Europeia que falha no essencial, ou seja, na união”.
No plano internacional, considerou que se vive “uma mescla indefinida e indefinÃvel de quase aparente regresso à guerra fria, que não chega ainda a sê-lo”, mas que, “a vir a concretizar-se, não obedeceria à s regras tácitas, nem à s pontes informais da que foi vivida no fim da segunda guerra”.
Segundo o Presidente da República, neste quadro, é necessário “um esforço coletivo, como tem defendido e praticado o secretário-geral das Nações Unidas, para evitar uma nova e mais aleatória guerra fria ou realidade similar e para travar escaladas de protecionismos, de egocentrismos, de fechamentos de toda a espécie”.
“E, já agora, no que nos toca, uma União Europeia mais unida, com crescimento e emprego sustentado e, sobretudo, institucionalmente mais preparada para anos que aà vêm, em que débeis lideranças nacionais tornarão impossÃvel fortes lideranças europeias”, acrescentou.
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