Maquinistas espanhóis mantêm greve na Renfe e estudam novas ações em defesa da segurança

Madrid, 28 out 2026 (Lusa) — O Sindicato Espanhol de Maquinistas Ferroviários (Semaf) decidiu manter a greve convocada para quinta-feira na Renfe, em defesa da segurança ferroviária e do cumprimento dos compromissos assumidos para garantir uma mudança estrutural nesta área.

A decisão de manter a paralisação baseou-se também no grave acidente ocorrido hoje junto à estação de Urda, em Toledo, em que a colisão de dois comboios de alta velocidade causou pelo menos 68 mortos, segundo os dados oficiais mais recentes.

O sindicato avisou que está a estudar novas ações e medidas em defesa da segurança ferroviária, para além da greve de quinta-feira, e instou todos os maquinistas a “redobrarem as precauções no exercício das suas funções”.

O Semaf afirmou que toda a organização está profundamente consternada com o acidente ocorrido de manhã na linha de alta velocidade entre Madrid e Sevilha, que envolveu um comboio da empresa pública Renfe e outro da transportadora privada Iryo, e sobre o qual ainda não dispõe de informações relativas aos maquinistas que seguiam na cabina do comboio da empresa pública.

Num comunicado, o sindicato acrescentou que pretende agir com prudência quanto às causas do acidente, até conhecer em pormenor o que realmente aconteceu, para evitar especulações, considerando que a prioridade é prestar auxílio às vítimas e apoiar as respetivas famílias.

Assim, os maquinistas de todas as empresas do grupo Renfe, cerca de 6.000 trabalhadores, foram convocados para uma greve de 24 horas, com início às 00:00 de quinta-feira (23:00 de hoje em Lisboa), motivada pelo bloqueio administrativo dos acordos assinados em matéria de segurança ferroviária, protocolos de resposta a emergências meteorológicas, contratação de novos maquinistas, assistência em acidentes por atropelamento e fiabilidade do material circulante.

A 16 deste mês, o Semaf convocou a greve depois de considerar “infrutíferas” as tentativas de resolução através da comissão de conflitos e de constatar, numa reunião com o Ministério dos Transportes, a Adif – gestora da infraestrutura ferroviária -, a Agência Estatal de Segurança Ferroviária (AESF) e a Renfe, que “tudo continua tão paralisado como em maio”.

Na sequência da greve do setor ferroviário realizada em fevereiro, devido ao acidente ferroviário de Adamuz, foram criados grupos de trabalho para concretizar cada um dos compromissos estabelecidos nos acordos alcançados com o Ministério dos Transportes e da Mobilidade Sustentável e com a Renfe, que permitiram desconvocar a paralisação.

Segundo o Semaf, realizaram-se reuniões entre fevereiro e abril, durante as quais os maquinistas apresentaram propostas técnicas, “mas ficou por aí”.

Embora, segundo o sindicato, as entidades envolvidas afirmem estar a cumprir todos os compromissos, “está tudo como no final de abril”.

A Renfe sustenta, porém, que as reivindicações apresentadas pelo Semaf para justificar a greve ultrapassam o âmbito das suas competências, considerando “incoerente convocar uma greve contra o seu serviço por questões alheias à empresa, como a regulamentação dos tempos de condução ou determinadas ações da Inspeção do Trabalho, sobre as quais também não tem poder de decisão”.

Segundo a Renfe, as questões apresentadas pelo Semaf para justificar a greve também não estão previstas no acordo coletivo assinado pelo sindicato em julho.

A empresa defende a sua atuação face às reivindicações apresentadas pelo Semaf nos últimos meses e salienta que o próprio sindicato reconhece a existência de acordos com a Renfe que não existem com outras operadoras.

Relativamente ao acordo assinado em fevereiro, em que foi assumido o compromisso de reforçar o sistema ferroviário após o acidente de Adamuz, a empresa garante ter cumprido integralmente todas as obrigações assumidas, conforme foi comunicado nas várias reuniões de acompanhamento de abril, maio e outubro.

Para atenuar os efeitos da paralisação, o Ministério dos Transportes e da Mobilidade Sustentável espanhol estabeleceu serviços mínimos para os comboios suburbanos, diferenciados em função dos períodos horários.

Nas horas de ponta — entre as 06:00 e as 09:00, as 13:30 e as 15:30 e as 18:30 e as 20:30 –, os serviços mínimos correspondem a 75% da oferta habitual. No restante período do dia, ficam fixados em 50%.

Nos comboios de média distância, foi estabelecida uma média de 65% dos serviços habituais. Nos serviços de alta velocidade e de longa distância, a percentagem é de 73%, enquanto no transporte ferroviário de mercadorias os serviços mínimos correspondem a 26% da operação programada.

O Semaf decidiu também manter a convocação de seis dias de greve na Ouigo, a partir de sexta-feira, em resposta aos “reiterados incumprimentos, por parte da direção da empresa, das disposições acordadas e previstas no acordo coletivo em vigor”.

 

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