
Hong Kong, China, 13 ago 2019 (Lusa) – Centenas de manifestantes pró-democracia regressaram hoje ao aeroporto de Hong Kong, um dia depois de milhares de ativistas terem invadido as instalações, levando ao cancelamento de todos os voos.
Vestidos de preto, a assinatura do movimento pró-democracia, os manifestantes gritavam: “Levanta-te Hong Kong, levanta-te para a liberdade”.
O encerramento do oitavo aeroporto internacional mais frequentado do mundo (74 milhões de passageiros em 2018), numa medida raramente aplicada, foi decidido na segunda-feira e no momento em que o Governo central chinês afirmava ver “sinais de terrorismo” na contestação, que agita a região administrativa especial chinesa desde o inÃcio de junho.
Num comentário publicado esta madrugada, a agência de notÃcias oficial chinesa Xinhua considerou que o futuro de Hong Kong atravessava “um momento crÃtico”, enquanto dois meios de comunicação do Partido Comunista Chinês, Diário do Povo e Global Times, difundiram dois vÃdeos que mostravam veÃculos de transporte de tropas a dirigirem-se, alegadamente, para a zona económica especial chinesa de Shenzhen, adjacente a Hong Kong.
Poucas horas antes desta nova incursão ao aeroporto, a chefe do Executivo de Hong Kong advertiu que a violência das manifestações pró-democracia vai levar o território para “um abismo” e a “uma situação preocupante e perigosa”.
“A violência (…) vai empurrar Hong Kong para um abismo e mergulhar a sociedade de Hong Kong numa situação preocupante e perigosa”, afirmou Carrie Lam, em conferência de imprensa.
A lÃder do Governo acrescentou que o território está “seriamente ferido” e que vai levar “muito tempo a recuperar”, pedindo que “todos coloquem as diferenças de lado e se acalmem”.
A contestação social foi desencadeada pela apresentação de uma proposta de alteração à lei da extradição, que permitiria a extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental.
A proposta foi, entretanto, suspensa, mas as manifestações generalizaram-se e reivindicam agora medidas para a implementação do sufrágio universal no território, a demissão da atual chefe do Governo, uma investigação independente à violência policial e a libertação dos detidos ao longo dos protestos.
A transferência de Hong Kong e Macau para a República Popular da China, em 1997 e 1999, respetivamente, decorreu sob o princÃpio de “um paÃs, dois sistemas”, precisamente o que os opositores à s alterações da lei garantem estar agora em causa.
Para as duas regiões administrativas especiais da China foi acordado um perÃodo de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nÃvel executivo, legislativo e judiciário, sendo o Governo central chinês responsável pelas relações externas e defesa.
MIM (JMC/EJ) // EJ
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