Manifestantes iranianos em Lisboa pedem ao Governo que expulse representantes da República Islâmica

Lisboa, 11 jan 2026 (Lusa) — A organização de um protesto contra o regime persa que está em curso frente à embaixada do Irão em Lisboa pediu hoje ao Governo português para expulsar os representantes da República Islâmica em território nacional.

“Esta é uma resposta necessária e fundamentada a graves violações dos direitos humanos e um passo concreto para garantir que a impunidade não prevalece”, defendeu um porta-voz da Iranianos em Portugal, numa mensagem lida em nome dos manifestantes.

A comunidade pediu ainda à comunidade internacional que respeite a “coragem e a voz do povo iraniano”, condenando “os ataques a hospitais e a civis desarmados e exigindo responsabilização pelos crimes contra a humanidade, ao abrigo do direito internacional”.

Mais de uma centena de pessoas estão reunidas frente à embaixada do Irão em Lisboa em solidariedade com os manifestantes que se têm concentrado, nas últimas duas semanas, em várias cidades de Teerão, inicialmente para contestar o custo de vida e, depois, para exigir a queda do regime.

Os protestos têm sido reprimidos com violência pelas autoridades, tendo o líder supremo, o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, garantido na sexta-feira que o país “ia iniciar” uma repressão.

No sábado, o procurador-geral do Irão avisou que qualquer pessoa que participe nos protestos será considerada “inimiga de Deus”, acusação punível com pena de morte.

Na quinta-feira, as autoridades desligaram a Internet e o sinal de telemóveis em todo o país, na sequência de uma grande manifestação em Teerão e depois de terem sido publicados nas redes sociais vídeos que mostravam uma multidão em protesto.

A organização de defesa dos direitos humanos Iran Human Rights disse ter registo de pelo 192 manifestantes mortos nestas últimas duas semanas, alertando, no entanto, para a probabilidade de o número ser muito maior, já que a contagem torna-se muito difícil sem Internet.

PMC // EJ

Lusa/Fim