
Colombo, 22 jul 2022 (Lusa) – Centenas de pessoas voltaram a manifestar-se hoje na capital do Sri Lanka contra a ação das autoridades que desmantelaram de forma violenta um acampamento de protesto e a ocupação de edifÃcios governamentais.Â
“Viemos protestar contra (o recém-nomeado presidente) Ranil Wickremesinghe e a presença dos militares. Não era isto que querÃamos. Vamos manter o nosso protesto”, disse à agência espanhola Efe um manifestante na cidade de Colombo que pediu anonimato.Â
Durante a madrugada, centenas de agentes da PolÃcia e efetivos do exército do Sri Lanka desalojaram os manifestantes que se mantinham desde o dia 09 de julho no edifÃcio onde funcionam os serviços da Presidência do paÃs e que tinham sido ocupados.
As forças de segurança retiraram também as tendas que tinham sido montadas no centro da cidade pelos manifestantes contra o ex-chefe de Estado Gotabaya Rajapaksa, a figura central das crÃticas pela situação económica em que o paÃs se encontra.Â
De acordo com um outro manifestante, o acampamento de protesto foi cercado na quinta-feira por “500 ou mil efetivos” do exército e que prolongaram a operação durante a madrugada.
Segundo as fontes da Efe, 40 manifestantes ficaram feridos durante a intervenção das autoridades.Â
Ranil Wickremesinghe emitiu durante a noite, após ter sido nomeado chefe de Estado pelos deputados (após escolha por voto secreto no Parlamento), uma ordem à s Forças Armadas para se “prepararem para manterem a ordem pública” a partir de hoje.Â
O novo presidente deu um prazo de 72 horas para que os vários acampamentos de protesto sejam desmantelados e que termine a ocupação dos edifÃcios governamentais.
Os atos de violência registados nas últimas horas foram condenados pela oposição e pelas organizações não-governamentais do Sri Lanka e entidades estrangeiras.
A polÃcia ainda não forneceu o número de feridos que resultaram na intervenção da última madrugada.Â
A embaixadora norte-americana em Colombo, Julie Chung disse estar “profundamente preocupada” com a operação militar das últimas horas e apelou à contenção.
“Pedimos de imediato à s autoridades para pararem e prestarem apoio médico aos feridos”, disse a embaixadora dos Estados Unidos através de uma nota que difundiu através da rede social Twitter. Â
O embaixador do Canadá tomou a mesma posição contra a “violência policial” e a Amnistia Internacional condenou a ação exortando as autoridades a respeitar os movimentos dissidentes. Â
O Sri Lanka enfrenta uma séria escassez de alimentos, medicamentos e de combustÃvel.
A crise económica foi desencadeada pelo endividamento, polÃticas erradas e o impacto de atentados ocorridos na Páscoa, além dos efeitos do confinamento contra a pandemia de covid-19 e que atingiu sobretudo o setor do turismo.
Em abril, o paÃs entrou em incumprimento com as entidades credoras sendo que o novo governo deve agora iniciar negociações com o Fundo Monetário Internacional para que seja implementado um plano de resgate.
Os protestos intensificaram-se nas últimas semanas obrigando o anterior chefe de Estado a abandonar o cargo e o paÃs. Â
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Lusa/Fim
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