Manifestantes do Porto aprovam passar a noite na Praça D. João I com tendas

Porto, 01 nov 2026 (Lusa) — As cerca de 2.500 pessoas concentradas na Praça D. João I, no Porto, aprovaram hoje por maioria prosseguir com a acampada esta noite, com recurso a tendas, tendo afirmado saber que a PSP não irá intervir na próxima madrugada.

“Montar as tendas não significa que vão ficar montadas a noite toda. A tenda é um símbolo. Eles podem vir aqui e dizer que temos que desmontar as tendas e aí vamos votar”, foi afirmado pela mesa da assembleia.

A decisão ocorre depois de, na última madrugada, a terceira carga policial desde 15 de outubro ter acabado, mais uma vez, com o protesto pacífico naquela praça da baixa portuense.

Na reunião, o movimento anunciou ter contabilizado 35 feridos ligeiros e quatro graves, para além de sete detidos, em resultado da carga policial, tendo sido aprovado um voto de repúdio.

Os manifestantes decidiram também recusar o convite do presidente da Câmara do Porto, para se reunirem com ele na próxima terça-feira, nos Paços do Concelho.

A autarquia portuense comunicou hoje a disponibilidade de Pedro Duarte para, nessa reunião, abordar, entre outros temas, a compatibilização do direito à manifestação com a disponibilidade dos espaços urbanos (designadamente, em período natalício) e com a possibilidade da existência de acampamentos ocasionais.

A preparação e eventual agendamento de uma reunião alargada (que poderá ocorrer no Teatro Rivoli ou noutro espaço municipal) sobre a atual situação do acesso à habitação e debate sobre potenciais respostas é outro tema na agenda do presidente da autarquia comunicada no email.

A PSP dispersou na madrugada de hoje as acampadas pelo direito à habitação no Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto, retirando cerca de 100 tendas. A intervenção culminou em cargas policiais e arremesso de objetos, provocando mais de duas dezenas de feridos entre manifestantes e polícias.

A atuação policial motivou um pedido de esclarecimentos do Presidente da República ao Governo e à Provedora de Justiça, e o anúncio de uma queixa-crime, por parte de um advogado, por abuso de poder contra o ministro da Administração Interna e o diretor da PSP.

Nos acampamentos, que começaram a 10 de outubro, os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos “verdadeiramente acessíveis” à renda

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