Manifestações em Moçambique visaram “estrangular” poder da Frelimo – Daniel Chapo

Maputo, 02 abr 2026 (Lusa) – O Presidente da Frelimo disse hoje que o objetivo das manifestações pós-eleitorais era “estrangular” a economia e o poder do seu partido, afirmando que este não vai esquecer a destruição das sedes e morte dos seus membros.

“A estratégia do inimigo era estrangular a economia nacional e o poder da Frelimo [Frente de Libertação de Moçambique, no poder desde 1975], a partir da cidade capital e das províncias vizinhas de Maputo, Gaza e Inhambane”, disse o presidente da Frelimo, Daniel Chapo, também chefe do Estado.

Chapo falava hoje, em Maputo, na reunião nacional dos primeiros secretários dos Comités distritais da Zona Sul, em que lembrou aos membros do seu partido que as províncias do sul de Moçambique foram o “epicentro das manifestações violentas, ilegais e criminosas”, após as eleições gerais de 09 de outubro de 2024.

“Não nos esqueceremos da vandalização das nossas sedes e salas de conferências em Malhazine, Xai-Xai, em Chibuto, em Maxaquene e outros locais. Nem nos esqueceremos dos ataques hediondos como aquele que se verificou em Inharrime, em que perdermos os nossos quadros e militantes dedicados à causa da Frelimo, sobretudo a juventude”, declarou.

Chapo disse que o partido tem na memória o “caos” criado com a colocação de barricadas em diferentes estradas do sul do país, incluindo no posto transfronteiriço de Ressano Garcia, junto à vizinha África do Sul, salientando que, “no entanto, os camaradas primeiros Secretários destas províncias e dos respetivos distritos mantiveram-se firmes e dedicados” a defender o povo e o partido.

O presidente da Frelimo pediu aos dirigentes para reforçarem a coesão no partido, para que este se mantenha fortalecido.

“Unidos e coesos ninguém nos vence, mesmo com a onda de ataques de que temos sido alvos, promovidos, coordenados e financiados por agentes internos e externos”, apontou.

Chapo referiu o crescimento da população jovem, que não viveu a “opressão e a exploração imposta pelo colonialismo” e nem os “horrores da guerra de desestabilização durante os 16 anos”, além das carências e pobreza absoluta em consequência dessa guerra.

Para o presidente da Frelimo, são jovens que vivem num mundo cada vez mais dominado pela globalização, “sufocado” pelas notícias falsas das redes sociais e inteligência artificial, transformadas em instrumentos do neocolonialismo e da ideologia dos que pretendem mudar regimes.

Por isso, pediu às lideranças do partido para ajustarem os métodos de trabalho para conquistar o apoio desses jovens por via de novas propostas.

Chapo pediu aos primeiros secretários para basearem “o seu trabalho no amor ao povo, guiando-se pelos princípios de humildade, integridade, lealdade, cultura de trabalho”, e para assegurarem o registo de novos membros, que vão garantir a manutenção do partido no poder nas próximas eleições.

Mais de 400 pessoas morreram entre outubro de 2024 e março de 2025, sobretudo em confrontos com a polícia, durante os protestos pós-eleitorais em Moçambique, considerados os mais graves em décadas, convocados pelo candidato presidencial Venâncio Mondlane, que nunca reconheceu os resultados eleitorais e a vitória de Daniel Chapo, apoiado pela Frelimo.

Os protestos degeneram na vandalização e saque de centenas de empresas e instituições públicas em todo o país.

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