
Genebra, 19 jun 2019 (Lusa) – Um novo recorde foi quebrado no mundo em 2018, com 70,8 milhões de pessoas deslocadas das suas casas ou dos seus paÃses, devido à s guerras ou perseguições, anunciou hoje as Nações Unidas.
O relatório anual “Tendências Globais” do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) observa que os nÃveis de deslocamento são hoje o dobro do que eram há 20 anos, confirmando uma tendência crescente no número de pessoas que precisam de proteção internacional.
Este é sétimo ano consecutivo em que o número de deslocados aumentaram no mundo.
“As tendências globais, mais uma vez infelizmente, vão no que eu diria que é a direção errada”, afirmou o responsável da agência da ONU para os Refugiados, Filippo Grandi, durante a apresentação do relatório em Genebra.
“Há novos conflitos, novas situações, que criam novos refugiados, somando-se aos antigos. Os casos antigos nunca são resolvidos”, acrescentou.
O fenómeno está a crescer em tamanho e duração. Cerca de quatro quintos das “situações de deslocados” duraram mais de cinco anos. Após oito anos de guerra na SÃria, por exemplo, o seu povo continua a constituir a maior população de pessoas deslocadas à força, cerca de 13 milhões.
A Venezuela, que atravessa uma grave crise humanitária e polÃtica, é pela vez primeira o paÃs com o maior número de novos requerentes de asilo, com mais de 340.000, em 2018.
O ACNUR ressalvou que os seus números são “conservadores” e na Venezuela, sendo que a situação poderá ser bastante pior. Sabe-se que cerca de 4 milhões de pessoas deixaram o paÃs sul-americano nos últimos anos. Muitos deles viajaram livremente para o Peru, Colômbia e Brasil, mas apenas cerca de um oitavo destes procuraram proteção internacional formal.
As tensões nos paÃses de acolhimento podem piorar, avisou a ACNUR.
Grandi prevê um êxodo contÃnuo da Venezuela e apelou a mais ajuda dos paÃses e organizações para o desenvolvimento da região, “caso contrário, esses paÃses não aguentarão mais a pressão e terão que recorrer a medidas que prejudiquem os refugiados”. “Estamos numa situação muito perigosa”, disse.
Apesar das polÃticas crescentes de anti-imigração, os Estados Unidos continuam a ser “o maior defensor dos refugiados” no mundo, disse Grandi. Os EUA são o maior doador individual do ACNUR.
Contudo, observou falhas administrativas de longo prazo que deram aos Estados Unidos o maior número de pedidos de asilo em todo o mundo, com quase 719.000. Mais de um quarto de milhão de reclamações foram adicionadas no ano passado.
O responsável pelo ACNUR criticou ainda a retórica recente que tem, na sua opinião, sido hostil a migrantes e refugiados, um pouco por todo o mundo.
“Na América, assim como na Europa e em outras partes do mundo, o que estamos a testemunhar é a ideia de que os refugiados, ameaçam os nossos empregos, a nossa segurança e os nossos valores”, disse Grandi.
“E eu quero dizer ao governo dos EUA – ao presidente – mas também aos lÃderes do mundo todo: isso é prejudicial”, acrescentou.
O relatório do ACNUR observou que, de longe, a maioria dos refugiados são de paÃses em desenvolvimento, não em paÃses ricos.
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