
Porto, 13 set 2026 (Lusa) — Mais de 70 empresas portuguesas da fileira do calçado participam esta semana, em Milão, Itália, nas feiras internacionais Micam, Lineapelle e Simac, que decorrem num contexto de “desaceleração geral no comércio global de calçado”, segundo a associação setorial APICCAPS.
Para além das 32 empresas de calçado que de hoje até terça-feira expõem na Micam, Portugal estará também representado, de terça a quinta-feira, com 31 companhias na feira de peles, materiais, acessórios e componentes Lineapelle e com mais oito empresas na feira de máquinas e tecnologias para o calçado, marroquinaria e curtumes Simac Tanning Tech, destaca a Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos (APICCAPS).
Segundo salienta, a presença em Itália insere-se na dezena de iniciativas no exterior que o setor português do calçado vai promover a partir de setembro, em parceria com a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e com o apoio do programa Compete 2030.
“Em apenas dois meses, praticamente 100 empresas portuguesas integrarão ações em mercados internacionais, confirmando o dinamismo e a ambição exportadora do setor”, avança o presidente da APICCAPS, Luís Onofre.
Numa altura em que se prepara para concluir, até final do ano, “o maior ciclo de investimento da sua história”, com mais de 100 milhões de euros aplicados em sustentabilidade, digitalização, inteligência artificial e novas tecnologias, o calçado português promete levar a Milão toda a “nova geração” de materiais, componentes, equipamentos e processos produtivos desenvolvidos no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
“Depois de três anos de investimento, investigação e desenvolvimento, é tempo de apresentar estas inovações aos compradores internacionais e de transformar o conhecimento criado em novas oportunidades de negócio”, afirma o presidente da APICCAPS.
Assim, os resultados dos projetos BioShoes4All e FAIST vão estar em destaque na Lineapelle e na Simac, dois dos principais pontos de encontro mundiais para as indústrias do calçado, componentes, curtumes, marroquinaria, máquinas e tecnologias.
Na Lineapelle, o BioShoes4All irá apresentar-se como “o maior projeto colaborativo alguma vez desenvolvido pela indústria portuguesa do calçado nas áreas da bioeconomia, sustentabilidade e inovação industrial”, ao reunir 69 parceiros e mobilizar um investimento de cerca de 60 milhões de euros.
Ao longo de quatro anos, o BioShoes4All gerou mais de 200 resultados científicos, tecnológicos e industriais, contando-se entre as soluções desenvolvidas materiais que incorporam resíduos de origem agroindustrial, novos couros e acabamentos de base aquosa, componentes reciclados ou recicláveis, borrachas com elevada incorporação de matérias-primas biológicas e processos destinados a reduzir a utilização de energia, água e produtos químicos.
“Várias destas soluções já ultrapassaram a fase de laboratório e estão prontas para aplicação industrial”, refere a associação setorial, salientando que a participação na Lineapelle “permitirá apresentá-las diretamente a marcas, fabricantes, ‘designers’ e compradores internacionais”.
Já na feira Simac Tanning Tech estará em evidência o projeto FAIST – Fábrica Ágil, Inteligente, Sustentável e Tecnológica, um investimento próximo dos 50 milhões de euros focado em reforçar a capacidade tecnológica e produtiva do ‘cluster português’ do calçado.
O projeto envolveu o desenvolvimento de 34 novos produtos, processos e serviços, entre equipamentos avançados, linhas automáticas, sistemas digitais e unidades-piloto para testar e validar novas tecnologias.
O objetivo é “responder a alguns dos principais desafios da indústria”: Produzir séries pequenas e personalizadas com maior eficiência, automatizar operações exigentes, melhorar as condições de trabalho e reduzir o consumo de matérias-primas e energia.
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