
Nampula, Moçambique, 30 dez 2025 (Lusa) – Pelo menos 50 mil alunos desistiram da escola este ano na província moçambicana de Nampula devido a “desafios profundos” que afetam principalmente as raparigas, disse hoje à Lusa fonte oficial.
“Num universo de dois milhões de alunos matriculados [na província], a desistência escolar representa uma perda significativa para o sistema educativo. As uniões prematuras e as gravidezes precoces continuam a figurar entre as principais causas do abandono escolar, afetando de forma mais severa as raparigas”, disse William Tunzine, diretor provincial da Educação em Nampula.
Segundo o responsável, as autoridades têm reforçado também ações de sensibilização junto de professores, conselhos de escola, pais e líderes comunitários, com enfoque na prevenção das uniões prematuras e da gravidez precoce, defendendo que a redução do abandono escolar exige uma resposta integrada, envolvendo vários setores da sociedade, de modo a garantir o direito das raparigas à educação.
“Apesar do cenário adverso, o setor da educação reafirma a sua política de inclusão, permitindo que raparigas grávidas ou envolvidas em uniões prematuras continuem a frequentar a escola em horário normal, em conformidade com a legislação em vigor”, disse o responsável, acrescentado que a abordagem tem sido fundamental para a reintegração de centenas de alunas e para a redução gradual do abandono escolar feminino.
O diretor provincial assinalou ainda que, apesar dos desafios associados a desistência escolar, até ao terceiro trimestre deste ano, a província registou a reintegração de 1.186 alunos no sistema nacional de ensino, dos quais 1.066 são raparigas que haviam desistido “por vários motivos” e 120 rapazes, com destaque para o distrito de Memba.
“Apesar dos esforços em curso, continuamos a enfrentar desafios profundos que afetam sobretudo a permanência das raparigas na escola”, lamentou Tunzine.
A diretora nacional do Género do Ministério da Educação e Cultura, Seana Daúd, reconheceu em julho que perto de 50% de crianças que concluíram o ensino primário, principalmente meninas nas regiões norte e centro de Moçambique, “são convidadas a abandonarem as escolas”.
“Infelizmente a prática ainda acontece, estamos no século XXI e ainda acontece isto no nosso país. Isso acontece no meio rural”, disse Daúd, acrescentando que o Governo está a trabalhar para mitigar as assimetrias do acesso à educação por parte das raparigas e rapazes do meio rural, em comparação com os urbanos.
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