
Porto PrÃncipe, 02 abr 2024 (Lusa) — Mais de 50.000 pessoas fugiram da área metropolitana de Porto PrÃncipe, capital do Haiti, nas passadas três semanas, procurando abrigo contra a escalada de violência de gangues, anunciou hoje a Organização Internacional para as Migrações (OIM).
A OIM observou, entre 8 e 27 de março, a saÃda de 53.125 pessoas da capital, principalmente para se juntarem à s provÃncias do Grande Sul, que já acolhem 116 mil deslocados que fugiram nos últimos meses.
A OIM está preocupada com a situação e avisa que as provÃncias de destino dos deslocados “não têm infraestruturas suficientes e as comunidades de acolhimento não têm recursos suficientes que lhes permitam fazer face a estes fluxos massivos de deslocamentos provenientes da capital”.
A maioria (68%) das mais de 50.000 pessoas que fugiram da capital já estavam deslocadas internamente, muitas vezes tendo-se refugiado primeiro com familiares na área metropolitana de Porto PrÃncipe, admitindo que abandonaram a capital por causa da violência de gangues.
O Haiti tem sido devastado há décadas pela pobreza, desastres naturais, instabilidade polÃtica e violência de gangues.
Desde finais de fevereiro, os temÃveis gangues do Haiti uniram-se para atacar esquadras de polÃcia, prisões, o aeroporto e o porto marÃtimo, num esforço para destituir o primeiro-ministro, Ariel Henry.
O primeiro-ministro, muito contestado, anunciou em 11 de março que iria renunciar ao cargo para dar lugar a um chamado Conselho de Transição.
Contudo, três semanas passadas, o conselho ainda não foi constituÃdo, devido a divergências entre os partidos polÃticos e outras partes interessadas que deveriam nomear o próximo primeiro-ministro.
No entretanto, a violência dos gangues intensificou-se e a população enfrenta uma grave crise humanitária, com escassez de alimentos, medicamentos e outras necessidades básicas.
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