
Bucareste, 11 ago (Lusa) – Mais de 450 pessoas ficaram feridas e outras 30 foram detidas na sexta-feira durante uma manifestação contra o Governo romeno, em Bucareste, que visava exigir a demissão do executivo e eleições antecipadas, divulgaram hoje autoridades locais.
Segundo dados das autoridades, este foi o resultado da manifestação de cerca de 80 mil romenos na sexta-feira contra o Governo, num protesto organizado por expatriados e que originou confrontos com a polÃcia de choque quando os manifestantes tentavam passar uma barreira policial que os separava de instalações do Governo.
Fontes hospitalares informaram que muitos destes feridos foram assistidos devido à inalação de gases pimenta e lacrimogéneo utilizados pela polÃcia, enquanto outros sofreram hematomas.
Entre os feridos há também polÃcias.
Em reação à ação policial, o Presidente da Roménia, Klaus Iohannis, crÃtico do Governo, disse na sexta-feira que “condena firmemente a brutal intervenção da polÃcia de choque”, que classificou como desproporcionada num protesto que foi maioritariamente pacÃfico.
Os emigrantes que organizaram a manifestação em Bucareste, capital da Roménia, alguns dos quais atravessaram a Europa de carro para estar presentes, afirmam estar descontentes pela forma como o paÃs está a ser governado, nomeadamente no que diz respeito à luta contra a corrupção desde que o Partido Social Democrata chegou ao poder em 2016.
Estima-se que cerca de três milhões de romenos vivam fora do paÃs e alguns dizem que saÃram devido à corrupção, baixos salários e falta de oportunidades.
A Roménia é um dos paÃses mais corruptos da União Europeia e Bruxelas mantém o sistema judicial romeno debaixo de apertada vigilância.
A atual primeira-ministra da Roménia, Viorica Dancila, de 54 anos, a primeira mulher a ocupar esse cargo, é o terceiro chefe de Governo num curto perÃodo.
A primeira-ministra lidera o Governo apoiado pelos sociais-democratas, mas criticado pela União Europeia, após a aprovação de legislação que os crÃticos consideram dificultar a perseguição judicial à corrupção de alto nÃvel.
Dancila deu o seu apoio a estas propostas, que motivaram manifestações dos opositores nas principais cidades do paÃs.
Os dois anteriores primeiros-ministros foram demitidos por alegadamente não respeitarem a linha polÃtica imposta pelo Partido Social-democrata (PSD, no poder) e em particular por não fornecerem o apoio total à reformulação do sistema judicial.
Mihai Tudose demitiu-se do cargo primeiro-ministro no inÃcio de janeiro, após o partido lhe ter retirado o apoio. Tinha substituÃdo Sorin Grindeanu, forçado a abandonar o executivo após um voto de não-confiança apresentado no parlamento pelo seu próprio partido em junho.
Dancilla deverá desempenhar uma função de gestão, com a polÃtica governamental a ser decidida pelo lÃder do PSD, Liviu Dragnea, impedido de assumir o cargo de primeiro-ministro devido a uma condenação por manipulação de resultado eleitoral.
ANE (IMA) // VM
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