
Genebra, SuÃça, 28 jun 2022 (Lusa) — Os primeiros dez anos do conflito sÃrio, que começou em 2011, mataram mais de 300 mil civis, indicou hoje a ONU, naquela que é a estimativa oficial mais elevada de mortes de civis naquele paÃs até à data.
O relatório publicado esta terça-feira pelo Gabinete dos Direitos Humanos das Nações Unidas estima que 306.887 civis tenham sido mortos na SÃria, entre 01 de março de 2011 e 31 de março de 2021, vÃtimas do conflito armado, o que em média significa que todos os dias morreram, durante os últimos dez anos, 83 civis por dia.
Ainda assim, a própria organização alerta que o número de fatalidades entre civis pode ser maior, já que a contagem final não inclui as pessoas que foram enterradas pelas respetivas famÃlias, sem qualquer notificação à s autoridades.
“Estas são pessoas mortas como resultado direto de operações de guerra. Isto não inclui os muitos, muitos outros civis que morreram devido à perda de acesso aos cuidados de saúde, à alimentação, à água potável e a outros direitos humanos essenciais”, explicou a Alta-Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet.
O relatório, ordenado pelo Conselho dos Direitos Humanos da ONU, cita 143.350 mortes de civis que foram de facto comprovadas individualmente, por diferentes fontes e com recurso a informação detalhada, como o nome completo da vÃtima, a data e o local da morte.
Os restantes 163.537 óbitos contabilizados surgem de estimativas.
“As baixas relacionadas com o conflito deste relatório não são apenas um conjunto de números abstratos, mas representam seres humanos individuais”, afirmou Bachelet, que acrescentou que o trabalho das organizações, como a ONU, em monitorizar as mortes relacionadas com conflitos armados é fundamental para ajudar as famÃlias e em atribuir as responsabilidades devidas.
Desencadeado em março de 2011 pela violenta repressão do regime de Bashar al-Assad de manifestações pacÃficas, o conflito civil na SÃria provocou igualmente milhões de deslocados e refugiados.
Ao longo dos anos, o conflito ganhou uma enorme complexidade, com o envolvimento de paÃses estrangeiros e de grupos ‘jihadistas’, e várias frentes de combate.
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