
Vagos, Aveiro, 18 jun 2024 (Lusa) — Mais de 30 mil alunos, num universo de 100 mil, faltaram à prova de aferição de Português do 2.º ano, revelou hoje o coordenador nacional do Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (Stop), André Pestana.
“Na semana passada, mais de 30 mil alunos faltaram à prova de aferição de português do 2.º ano, num universo de 100 mil, ou seja, mais de 30%. Claramente, isto só é possÃvel quando os encarregados de educação tomam esta iniciativa”, referiu.
Em declarações à Lusa depois de uma conferência de imprensa em frente à Escola Básica Dr. João Rocha Pai, em Vagos, André Pestana sublinhou que estes números atestam que a greve à s provas de aferição tem tido “impacto em escolas de norte a sul do paÃs”, apesar “dos vários atropelos à greve”.
“Os docentes em greve agradecem a solidariedade de milhares de encarregados de educação que, de várias formas, manifestaram também a sua reprovação a estas provas de aferição, que têm servido essencialmente para sobrecarregar ainda mais os docentes com trabalho, criar ansiedade e ‘stress’ nos nossos alunos e fazê-los perder muitas aulas”, acrescentou.
Para o responsável do STOP, o novo ministro da Educação, Fernando Alexandre, “tem de mudar nas polÃticas educativas e no respeito pelos direitos laborais de quem trabalha nas escolas”.
“No seu recente programa apresentado ‘Mais aulas, mais sucesso’ pretende, infelizmente, agudizar ainda mais o envelhecimento e o cansaço docente. Não é esse o caminho, como também não é o caminho uma avaliação docente que começa a contar para a colocação dos professores”, lamentou.
André Pestana criticou também que se siga um modelo especial de remuneração e de avaliação apenas para os diretores escolares ou que se aprofunde a municipalização.
“Para melhorar a qualidade da escola pública é fundamental uma gestão escolar democrática, o direito à Caixa Geral de Aposentações, uma avaliação justa e sem quotas, além de muitas outras questões especÃficas que o STOP continua a defender para docentes, assistentes operacionais, assistentes técnicos e técnicos superiores especializados”, apontou.
Já a delegada sindical do STOP em Vagos, Paula Neves, frisou que os docentes continuam em greve à s provas de aferição por “uma questão de coerência com os princÃpios que defendem”.
“Os docentes não veem qualquer vantagem pedagógica para os alunos e também não veem qualquer vantagem educativa para o sistema. Neste momento encontramo-nos no fim do ano, os professores estão exaustos e as provas de aferição desviam meios tecnológicos e humanos que são fundamentais para o sucesso educativo dos alunos”, justificou.
De acordo com Paula Neves, a greve e “a luta” é para manter até os docentes serem ouvidos e conseguirem “algumas mudanças muito importantes” e das quais dizem não abdicar “a bem da qualidade da escola pública”.
À Lusa, esclareceu também que a greve é exclusivamente às provas de aferição, mantendo-se o cumprimento da atividade letiva.
“Estamos a ser um bocadinho condicionados a ter de dizer que estamos em greve para não sermos substituÃdos e estamos a assumir as turmas e a cumprir com a atividade letiva. Mas temos colegas a quem foram apagados os sumários relativos a essas aulas e pretendem descontar-nos, como aliás já foi anteriormente feito, essas horas do nosso vencimento”, denunciou.
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