
Cartum, 20 nov 2020 (Lusa) — Cerca de 2,3 milhões de crianças precisam de ajuda humanitária em Tigray e outros milhares estão em situação precária em campos de refugiados no Sudão devido ao conflito naquela região etÃope, alertou hoje a UNICEF.
“A falta de comunicações e as restrições de viagens à região de Tigray estão a impedir o apoio a 2,3 milhões de crianças que precisam de assistência humanitária”, disse a diretora-geral da agência das Nações Unidas para a infância, Henrietta Fore, num comunicado hoje divulgado.
A agência da ONU estimou que cerca de “12.000 crianças, algumas sem pais ou famÃlia, estão em campos de refugiados ou centros de acolhimento e estão em risco”.
A provÃncia de Tigray, região dissidente no norte da Etiópia, tem sido palco de fortes combates desde o inÃcio das operações militares do Governo, em 04 de novembro.
O primeiro-ministro etÃope, Abiy Ahmed Ali, lançou uma ofensiva contra a Frente de Libertação do Povo Tigray (TPLF), que lidera a região e está a desafiar a autoridade do Governo Federal há vários meses.
Centenas de pessoas foram mortas e, de acordo com autoridades sudanesas, 36.000 cruzaram a fronteira para procurar refúgio no Sudão.
Muitos desses campos improvisados no Sudão estão sobrelotados e os refugiados vivem em condições insalubres, com acesso limitado a comida e água.
“As condições de vida dessas crianças são extremamente duras. Estamos a trabalhar com os nossos parceiros para fornecer suporte básico em termos de saúde, alimentação e água”, disse Fore.
“Apelo a todas as partes no conflito para permitirem o acesso contÃnuo e sem entraves a todas as comunidades afetadas pela guerra para poder chegar à s crianças e à s suas famÃlias”, declarou a diretora-geral do UNICEF.
Henrietta Fore também pediu a garantia de que as crianças não serão “recrutadas e usadas” em conflitos.
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