Mais de 1,5 mil milhões de pessoas afetados por calor intenso

Lisboa, 16 set 2026 (Lusa) — Mais de 1,5 mil milhões de pessoas passaram pelo menos um mês de calor perigoso nos últimos três meses, devido às alterações climáticas, segundo uma análise divulgada hoje.

Entre junho e agosto, quase nove em cada 10 europeus enfrentaram um mês de calor perigoso e a Ásia teve o maior número de pessoas afetadas pelas altas temperaturas, segundo a análise da “Climate Central”, uma organização de cientistas com sede nos Estados Unidos, que analisa e divulga informações sobre ciência climática.

As ondas de calor em todo o mundo e os dias perigosamente quentes tornaram-se “significativamente mais prováveis devido às alterações climáticas”, provocadas sobretudo pela queima de combustíveis fósseis, diz a organização num comunicado.

Os cientistas concluem também que praticamente em todo o mundo os cidadãos enfrentaram dias com uma forte influência das alterações climáticas e destacam que 54 países tiveram o período de junho a agosto mais quente desde 1970, incluindo França, Itália e Reino Unido. Sete dos 10 países mais excecionalmente quentes estavam na Europa.

Com milhões de pessoas expostas a pelo menos 30 dias de calor intenso na Ásia, 117 milhões só na Índia, as condições meteorológicas tiveram impactos nas regiões afetadas, com incêndios florestais recorde, secas generalizadas e aumento da pressão sobre os serviços de emergência e de saúde.

“A nossa análise revela um padrão global alarmante: seja com nove em cada dez europeus a enfrentar calor intenso, centenas de milhões de pessoas impactadas na Ásia e em África, ou temperaturas recorde implacáveis na América do Norte, o aquecimento global causado pela ação humana está a levar as comunidades além dos limites físicos seguros”, disse Kristina Dahl, vice-presidente de Ciência da “Climate Central”.

“Estes últimos três meses são um sinal de alerta que não podemos ignorar — os custos humanos e económicos dos combustíveis fósseis estão a manifestar-se em tempo real, e a urgência de os abandonar nunca foi tão evidente”, acrescentou.

Segundo a análise, as alterações climáticas acrescentaram 23 dias de calor intenso e perigoso para o residente médio dos Estados Unidos e 17 dias para o residente médio do Canadá.

A Europa foi o lugar mais excecionalmente quente do planeta, com 89% da população a sofrer um mês inteiro de calor intenso e perigoso, que contribuiu para um elevado número de mortes. E em África pelo menos seis países sofreram temperaturas fortemente influenciadas pelas alterações climáticas.

Citado no comunicado, Simon Stiell, secretário Executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, afirmou que “mais de mil milhões de pessoas a enfrentar um mês extra de calor prejudicial à saúde demonstra, mais uma vez, os custos crescentes da crise climática, causados pela dependência da humanidade da queima de carvão, petróleo e gás”.

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